Segunda feira, 24 de fevereiro de 2020 Edição nº 15409 14/02/2020  










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‘Nove histórias’ ganha nova edição no Brasil

‘Nove histórias’, de J.D. Salinger, considerada uma das maiores coleções de contos da literatura americana, ganha nova edição no Brasil. Em cada narrativa, há um protagonista marcante que se conecta com outros títulos do cultuado escritor

Da Redação

Em 1953, dois anos após o sucesso estrondoso de “O apanhador no campo de centeio”, um novo livro de J.D. Salinger (1919-2010) chegou às livrarias americanas: “Nove histórias”, coleção de contos que que agora ganha nova edição pela Todavia, com tradução de Caetano W. Galindo, que já encarou Joyce e David Foster Wallace — a anterior, de 1967, era de Jorio Dauster, sob o título “Nove estórias”.

Considerado um dos livros mais emblemáticos da literatura americana no século XX, é um retrato bem-humorado e delicado da vida dos Estados Unidos no pós-guerra. Assim como o Holden Caufield de “O apanhador...”, há nessas “Nove histórias” sujeitos enlutados, boquirrotos, alienados, que gostam de falar com crianças —e, sobretudo, marcantes.

O livro marca a estreia de alguns membros da família Glass (Bessie, Les e seus sete filhos talentosos), que aparece nos outros dois livros que Salinger publicou em vida: “Franny & Zooey” (1961) e “Pra cima com a viga, carpinteiros” (1963). A seguir, nove personagens apresentados por Salinger em “Nove histórias”, alguns inesquecíveis como Holden Caulfield. No duro.



Seymour Glass “Um dia perfeito para peixes-banana”

Seymour é o primogênito da família Glass, um geniozinho que defendeu seu doutorado em Columbia aos 19 anos e começou a lecionar. Seymour lutou na Segunda Guerra, tentou cortar os pulsos e precisou passar uma temporada em um hospital psiquiátrico. Neste conto, a guerra já acabou e os médicos o liberaram para desfrutar de uma segunda lua de mel na Flórida. Enquanto, na praia, Seymour conversa com uma menininha sobre peixes-banana, Muriel, a mulher dele, tenta acalmar a mãe, que, no telefone, teme que o genro perca “completamente o controle”. O casamento de Seymour e Muriel é descrito em “Pra cima com a viga, carpinteiros” por Webb Glass, que também narra “Seymour — uma introdução”. A carta do conto “Hapworth 16, 1924”, publicado na “New Yorker” em 1965, foi escrita por Seymour aos 7 anos.



Eloise Wengler “O tio Novelo em Connecticut”

O conto descreve uma tarde de conversa e bebedeira entre Eloise Wengler e Mary Jane, sua velha amiga da faculdade. Eloise é impaciente, raivosa e desbocada. Ela se irrita ao falar do marido, Lew (que fingiu adorar Jane Austen), da filha e do amigo imaginário dela. “Se um dia você se casar de novo, não conte nada para o seu marido. Eles querem achar que você passou a vida toda vomitando toda vez que um rapaz chegava perto de você”, Eloise aconselha Mary Jane. Se fosse contar alguma coisa ao marido, Eloise decerto falaria de Walter Glass, irmão de Seymour e gêmeo de Waker — seu antigo namorado, morto na guerra por razões que ela não deixa muito claras. Esta é a única história cuja adaptação para o cinema foi autorizada por Salinger, embora o filme “Meu maior amor” (1949) pouco lembre o original.



Franklin Graff “Logo antes da guerra com os esquimós”

Franklin aparece de pijamas, com a barba por fazer e o dedo ensanguentado e enrolado em papel higiênico. Na sala de casa, ele conhece Ginnie, amiga de sua irmã caçula que a está esperando. Franklin começa a conversar com Ginnie e a ofender a irmã dela, Joan, “uma esnobe desgraçada”, “a droga da rainha dos esnobes” (lembra Holden reclamando de seus colegas de escola “fajutos”). Explica-se: Franklin escrevera oito cartas para Joan, que não respondeu nenhuma. Da janela, assiste a rapazes —“uns idiotas do cacete” — indo se alistar na guerra. Ele não pode ir: “Problema aqui na bomba”, diz para Ginnie apontando para o peito.



Mary Hudson - “O gargalhada”



Primeiro, ela era só uma fotografia emoldurada sobre o espelho retrovisor do parabrisa do ônibus que levava os Comanches, um bando de meninos de 9 anos, para jogar beisebol. O narrador, um dos moleques, pergunta ao Cacique, o rapaz de 20 e poucos anos responsável por aquela turma, o nome dela: Mary Hudson. O Cacique, “um rapaz extremamente tímido e delicado”, distrai os meninos com as aventuras do Gargalhada, um Robin Hood desfigurado que fala com os animais. Depois, é Mary Hudson quem distrai os meninos com sua “beleza inclassificavelmente grande à primeira vista”. Ela passa a pegar carona no ônibus dos Comanches sempre que vem a Nova York. Inventa de jogar beisebol com eles e ignora quando lhe dizem que ela não ia aguentar segurar o taco, muito pesado: “Eu viajei isso tudo até Nova York — pro dentista e tudo mais —e vou jogar”.



Beatrice “Boo Boo” Glass Tannenbaum - “Lá no bote”

Boo Boo Glass quer saber por que seu filhinho, Lionel, persiste em fugir de casa. Lionel herdou a adorável esquisitice dos Glass. Já foi encontrado no porão do prédio e no Central Park. De férias na casa de veraneio da família, Boo Boo tenta conversar com o filho, entendê-lo, mas ele não está a fim de falar. Cansado do interrogatório, Lionel joga na água uma máscara de mergulho que pertencia, diz Boo Boo, ao tio dele, Webb, mas que antes fora de seu outro tio, Seymour. Boo também é mencionada em “Hapworth 16, 1924” e em “Pra cima com a viga, carpinteiros” — título que, aliás, é um recado que ela escreveu a Seymour no espelho do banheiro.



Esmé “Para Esmé — com amor e sordidez”

Esmé uma inglesinha falante que se recusa a dizer seu nome completo ao narrador americano: “Eu tenho um título, e você pode ser daqueles que se impressionam com títulos”. Esmé diz ser uma leitora voraz e usa um relógio de pulso enorme, que pertencera a seu pai, morto em combate no norte da África. O pai de Esmé dizia que ela estava mal preparada para a vida, porque não tinha senso de humor. Esmé é “extremamente interessada em sordidez” e pede ao narrador que escreva uma história “bem sórdida e comovente”.



Arthur “Linda a boca, e verdes meus olhos”

O conto narra uma conversa telefônica entre o neurótico Arthur e seu amigo Lee, um homem grisalho e distinto, no meio da madrugada. Arthur reclama para Lee que não sabe onde está sua esposa. Ela sumiu depois de uma festa. Arthur é ciumento. Muito ciumento. “Eu praticamente tenho que me conter pra não sair abrindo a porta de cada armário da merda do apartamento. Toda noite eu chego em casa meio esperando encontrar um bando de filhos da puta escondidos por tudo quanto é lado”, diz.



John Smith (“O período azul de Daumier-Smith”)

John Smith passou a adolescência em Paris, mas está de volta aos Estados Unidos com seu padrasto. Smith lê em um jornal que uma escola de arte dirigida por um casal japonês, os Yoshoto, está à procura de professores. Ele falsifica seu currículo e seu nome para se inscrever: diz se chamar Jean Daumier-Smith e que sua família sempre foi muito amiga de Pablo Picasso. Aceito na escola, vive com medo de acabar revelando suas mentiras. Smith nunca desenha órgãos sexuais e fica confuso com os gemidos que vêm do quarto dos Yoshoto de madrugada —talvez um deles esteja muito doente.



Teddy McArdle (“Teddy”)

Teddy tem 10 anos e sustenta a teoria vedântica da reencarnação. Em uma viagem de navio saindo da Europa para os Estados Unidos, ele conversa com o rapaz chamado Bob Nicholson, que interroga o menino sobre sua fama de pequeno guru. Circula o boato de que Teddy uma vez teria predito quando e onde alguns de seus ouvintes iam morrer. Aos 6 anos, Teddy descobriu que tudo era Deus, e seu cabelo se arrepiou. Descobriu também que em sua vida anterior fora um homem indiano muito piedoso, mas que não conseguiu progredir espiritualmente por culpa de uma mulher. Os pais não gostam que ele fique pensando em Deus o tempo todo: acham que pode fazer mal à saúde.



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