Segunda feira, 24 de fevereiro de 2020 Edição nº 15409 14/02/2020  










ARNO SCHNEIDERAnterior | Índice | Próxima

Pressões ambientais transformadoras

As previsões de aumento da população mundial para algo próximo de 10 bilhões de habitantes nas próximas duas ou três décadas; a inserção de centenas de milhões de humanos nos processos de consumo, principalmente pelos países asiáticos; as pressões ambientais para a geração de energia limpa e mitigação do aquecimento global (ainda não resolvido cientificamente), acabarão por provocar mudanças substanciais no atual perfil do uso da terra e na atividade do agro.

Haverá necessidade de pelo menos dobrar as nossas safras de alimentos e fibras, aumentar a produção de biocombustíveis (etanol e biodiesel), multiplicar os plantios florestais para atender as novas necessidades de celulose, construção civil e móveis em geral (a extração de madeira de florestas nativas tenderá a cair) e madeira visando a biomassa para a geração de energia limpa.

Hoje a distribuição brasileira do uso do solo é mais ou menos assim: 8% para todo o tipo de agricultura; 22% para as pastagens; 65% do território nacional permanece com a vegetação original e 5% são as estradas, zonas urbanizadas e outros.

É bom lembrar que somos campeões mundiais na preservação da vegetação nativa e que a reserva ambiental obrigatória de cada propriedade é uma condição exclusiva do Brasil.

As novas necessidades irão demandar mais terras para a agricultura. Provavelmente iremos dobrar a nossa área agrícola de 8% para algo em torno de 16% do nosso território.

Como, por pressões ambientais, novos desmatamentos serão inviáveis, a tendência é acreditar que seria impossível dobrar a área plantada sem desmatar.

Na verdade isso será possível e de uma maneira bastante natural.

Estas novas áreas serão incrementadas por dois processos, ambos advindos das pastagens cultivadas que tenham aptidão agrícola.

Primeiramente, centenas de milhões de hectares migrarão das pastagens para a agricultura pela tendência inexorável da engorda dos bois através de confinamentos. Cada boi confinado deixará de ocupar durante pelo menos um ano, um hectare de terras de pastagem. Para a cria e a recria, a intensificação das pastagens via calagem e adubações, também passarão a abrigar o dobro ou o triplo do gado.

Esta possibilidade de dobrar a área da agricultura sem prejuízo da produção pecuária, nestas dimensões, é inédita e exclusiva do brasil.

Nenhum outro país possui este potencial.

Seremos os líderes mundiais na produção e oferta de alimentos, fibras e biocombustíveis.

Também atenderemos as novas pressões de sustentabilidade, qualidade e segurança alimentar que certamente virão.

A preservação não é um entrave econômico para o desenvolvimento do agro.

Em qualquer atividade, todo raciocínio econômico deve resultar num número positivo, porém em agropecuária ainda temos que cuidar para não atropelar condições ambientais que possam resultar num retrocesso futuro.

Vamos passar a incomodar mais ainda países com o qual concorremos no mercado internacional de commodities. Por isso é bem provável que levaremos ainda mais pedradas ambientais que hoje.

Considero que nossa produção agropecuária é ambientalmente sustentável e que por falta de comunicação não estamos conseguindo vender adequadamente o nosso ativo ambiental para a comunidade internacional.

Podemos apostar, que pela ousadia e cabeça aberta à novas tecnologias, nosso agricultor já está preparado para estes novos desafios.



* ARNO SCHNEIDER, engenheiro agrônomo e pecuarista

renato@hotelgranodara.com.br



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