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Cuiabá MT, Quarta-feira, 08 de Julho de 2020
ECONOMIA
Terça-feira, 30 de Junho de 2020, 07h:55

EFEITO PANDEMIA

China já suspendeu compra de carne em 2 frigoríficos de MT

Casos de Covid-19 em funcionários dos abatedouros da Marfrig, em Várzea Grande, e Arga, em Rondonóplolis, levaram à suspensão das vendas

MARIANNA PERES
Da Reportagem
Divulgação
Frigoríficos de Várzea Grande e Rondonópolis registraram casos de Covid-19 entre funcionários

Em um movimento ainda confuso para os frigoríficos brasileiros, a China suspendeu a habilitação de dois abatedouros que estavam autorizados a exportar ao país e tiveram casos de Covid-19 entre funcionários.

A decisão, tomada nos últimos dias, ampliou o temor com a imprevisibilidade do parceiro comercial. Foram suspensas as exportações do abate da Marfrig, em Várzea Grande, e da Agra (Grupo ALibem) em Rondonópolis (212 km ao Sul de Cuiabá).

Desde a semana passada, quatro frigoríficos brasileiros tiveram a licença para exportar à China retirada, pelo menos temporariamente.

Fazem parte da lista, além das unidades mato-grossenses de abate de bovinos de Várzea Grande, da Marfrig, e de Rondonópolis, que é da Agra, duas plantas da indústria avícola.

Foram suspensas as exportações do frango processado pela Minuano em Lajeado e pela JBS em Passo Fundo, ambas no Rio Grande do Sul.

Na contramão do discurso alardeado — inclusive, pelas autoridades chinesas — desde a semana passada, quando as restrições começaram, a decisão não partiu do Ministério da Agricultura do Brasil.

Fontes chegaram a dizer que a pasta estaria agindo preventivamente, após os pedidos feitos pelos chineses sobre a situação de determinados frigoríficos.

Nesse cenário, a reinserção das plantas na lista de autorizados a vender à China seria simples.

Mas a Agra, a Marfrig e a Minuano tiveram as autorizações retiradas pela Administração-Geral de Alfandêgas da China (GACC, na sigla em inglês).

Dos quatro abatedouros suspensos, o da JBS foi a único a ter a licença suspensa por decisão do Governo brasileiro, mas apenas porque a unidade está, desde o fim da semana passada, paralisada pela Justiça do Trabalho.

Em nota, o Ministério da Agricultura admitiu desconhecer os motivos que levaram os chineses a suspender os frigoríficos.

A pasta informou que “está buscando junto à GACC as razões da suspensão dos três estabelecimentos” e que, ao mesmo tempo, iniciou negociações para que as suspensões possam ser levantadas, visando à retomada por parte dessas empresas das exportações para a China”.

Segundo o ministério, a portaria que determina as medidas de “prevenção, controle e mitigação” de riscos de transmissão da Covid-19 nos frigoríficos foi traduzida para o mandarim e enviada para as autoridades chinesas.

Diante da falta de informações sobre a motivação de Pequim, a tensão segue no ar. Não está claro se outros frigoríficos que registraram casos de ovid-19 entre os funcionários serão atingidos por medidas de restrição.

Além disso, os brasileiros não são os únicos afetados — empresas do Reino Unido, Holanda, Estados Unidos e Canadá também tiveram unidades suspensas.

Como pano de fundo, a estratégia de Pequim para evitar a contaminação da Covid-19 via importação de alimentos, mesmo não existindo evidências de que esses produtos possam transmitir o vírus.

Outro motivo de inquietação no setor é que, embora os atingidos pela decisão chinesa tenham registrado casos de coronavírus entre funcionários, não há um padrão determinado entre as plantas atingidas.

“Tudo é possível, tratando-se de China”, lamentou uma fonte do setor.

Há desde casos de abatedouros que tiveram número de casos recentes e relativamente pequeno — a Agra registrou cerca de dez casos em Rondonópolis — até frigoríficos que tiveram surtos relevantes, mas que ocorreram há mais tempo.

Esse é o caso da Minuano de Lajeado, que chegou a ficar paralisada temporariamente pela Justiça, mas em meados de maio. Outras unidades na mesma situação, no entanto, não sofreram com as restrições dos chinesas, pelo menos por enquanto.

No caso da Marfrig de Várzea Grande, a esperança é que o protocolo de segurança da empresa, que testou todos os funcionários para detectar a covid-19, ajude no processo de reinserção do abatedouro na lista de autorizados por Pequim.

Por enquanto, a companhia terá de realocar a carne exportada à China para outras unidades. No Brasil, a empresa tem outros seis abatedouros habilitados a vender ao país asiático.

De toda forma, a retirada do frigorífico de Várzea Grande é negativa, dado que a planta é a mais importante para o grupo no Brasil e, no último ano, recebeu investimentos em ampliação. Além disso, mesmo que existam mercados alternativos, nenhum deles é tão relevante quanto a China, de acordo com analistas.


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