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Cuiabá MT, Domingo, 28 de Fevereiro de 2021
ECONOMIA
Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2021, 10h:59

IMPORTAÇÃO DE BOVINOS

Mercado e sanidade preocupam pecuaristas de Mato Grosso

Informações apontam para a abertura de importação de animais de países fora do Mercosul

MARIANNA PERES
Da Reportagem
Divulgação
Mato Grosso segue na liderança, com 31,7 milhões de cabeças de gado

A possibilidade de abertura para impostação de bovinos e bubalinos de países fora do Mercosul está trazendo preocupação aos pecuaristas de Mato Grosso, donos do maior rebanho bovino do País.

Questões atreladas ao mercado – aumento da oferta – e à sanidade abrem um leque de incertezas.

Informação não confirmada pelo Mapa aponta para abertura de importação de animais de países fora do Mercosul.

Em julho de 2019, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estabeleceu os requisitos para a importação de bovinos e bubalinos de países que integram o Mercosul.

Foram afixadas regras tanto para animais adquiridos para abate imediato quanto para gado de engorda. No caso da importação de animais para abate imediato, as regras constam da Instrução Normativa 18/2019.

Com a seca que atingiu o Estado de Mato Grosso nos últimos dois anos, com mais impacto no ano passado, alguns setores da cadeia produtiva da pecuária cogitam a possibilidade de importar animais para abate, como apontam membros da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

"Em relação à liberação da importação de bovinos e bubalinos de países da América do Sul, adquiridos para abate imediato, como intencionado por alguns frigoríficos que solicitaram licenciamento para o Mapa, tendo em vista que nada foi oficializado e não houve, também, consulta às entidades representativas do setor como a Acrimat, o que posso falar como pecuarista e como presidente de uma associação que defende esses interesses, é preciso analisar o impacto dessa atitude com profundidade", diz o presidente da Acrimat, Oswaldo Pereira Ribeiro Júnior.

De acordo com o pecuarista, Mato Grosso sempre executou um trabalho extenso na área da sanidade animal, com o Mapa a frente e vários outros órgãos em auxílio, como o próprio órgão de defesa estadual, o Indea presente nos 141 municípios de Mato Grosso.

“Houve um grande esforço para atingir o status de livre da febre aftosa com vacinação, conseguindo retirar a vacinação em algumas localidades. O último caso da doença foi relatado há mais de 25 anos e por isso abrir para a importação nos colocaria em risco, já que pode ocorrer a reinserção de doenças entre o nosso rebanho, e isso é algo que nos preocupa", afirmou.

Em relação ao mercado, a oferta de animais prontos ao abate, por exemplo, pode pressionar preços da arroba, justamente em um momento que o custo de produção segue elevado.

Outro aspecto nesse quesito é a possível desvalorização da carne mato-grossense em razão da abertura à importação de animais, já que por vezes a origem deles pode não observar o mesmo critério utilizado no Brasil, podendo prejudicar a comercialização do nosso produto.

“O Brasil conta com um serviço de defesa sanitária certificado e auditado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), o que permite ao País comercializar sua carne para mais de 150 nações”, destaca Ribeiro Júnior.

O presidente da Acrimat ressalta que a falta de animal pronto é uma realidade, existe uma escassez de animais devido a grande seca enfrentada pelos produtores mato-grossenses.

"As chuvas estão voltando agora e a recuperação de pasto só agora está se mostrando eficiente, o que nos dá a segurança em dizer que até março ou abril teremos animais prontos para abate", analisa Oswaldo Ribeiro.

Do total do rebanho mato-grossense, que hoje chega a 30,1 milhões de cabeça, 85% são criados a pasto e 15% em confinamento, o que assegura, com a retomada da normalização do regime de chuvas, e a consequente recuperação das pastagens, a entrega de animais prontos para abate nesse período.

"E é sempre bom lembrar que a pecuária é uma atividade de produção de médio e longo prazo, portanto estes animais prontos hoje já estavam programados há três, quatro anos, então o que temos hoje é porque o pecuarista trabalha e planejou e não por especulação", completa o presidente da Acrimat.


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