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Cuiabá MT, Sábado, 15 de Agosto de 2020
Editoriais
Sexta-feira, 20 de Março de 2020, 00h:10

EDITORIAL

Economia em tempos de coronavírus

A paralisação de diversas cidades chinesas no início do ano agora se repete na Europa, começa a se verificar nos Estados Unidos e, tudo indica, em breve o Brasil também terá alguns dos maiores centros urbanos com grande parte da população confinada em suas moradias, na busca por evitar a disseminação do coronavírus. O preço pago pelos cuidados sanitários necessários, em todos os países mais atingidos, é uma parada brusca na economia. O próprio presidente norte-americano, Donald Trump, admitiu que os EUA talvez rumem para uma recessão. Neste sentido, o pacote de R$ 147 bilhões de socorro do governo federal para desonerar folha de pagamento e segurar empregos, ampliar o Bolsa Família e aumentar atenção com a renda dos idosos pode não ser o suficiente neste momento, mas vai no rumo certo, devido à premente necessidade de medidas de curto prazo que não deixem a atividade se deprimir ainda mais no Brasil.

Transporte aéreo, área de eventos, turismo e hotelaria são alguns dos setores que já vêm experimentando o gosto amargo de uma queda violenta da demanda. Junto com outros segmentos que ainda serão mais impactados, como o comércio e alimentação fora de casa, terão semanas ou meses duros pela frente. Precisarão, tudo indica, de medidas mais específicas. É a hora de dar amparo às empresas, prorrogando recolhimento de impostos, e proteger a população mais necessitada. Situações atípicas como a pandemia em curso também exigem saídas extraordinárias. As medidas para facilitar a renegociação de dívidas e destinadas a ampliar a capacidade de crédito, aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), vão na mesma direção de levar algum alento a famílias e empresários.

Com o pacote anunciado na segunda-feira, o Ministério da Economia parece ter despertado para o fato de que falar apenas em reformas não era o bastante neste momento. É irrefutável que são essenciais, mas têm efeitos mais a médio e longo prazos. As necessidades da já trôpega economia brasileira são imediatas. Até por isso, possivelmente o governo terá de lançar mão de novas iniciativas. Será necessário, por exemplo, incluir novos beneficiários no Bolsa Família, programa que tem uma fila de espera de cerca de 3 milhões de pessoas carentes. Deve merecer atenção ainda, o mais rápido possível, o grande contingente de trabalhadores informais no Brasil. Representam cerca de 40% do total de ocupados hoje no país, mas por enquanto estão alijados das medidas anunciadas pela equipe econômica.

Em todos os cantos do mundo, os governos e os bancos centrais não pouparam medidas para incentivar a economia e acalmar os nervos do mercado financeiro. Mesmo com o arsenal reduzido devido à frágil situação fiscal, o Brasil tem de achar meios para impedir um novo mergulho recessivo, que seria desastroso para a população brasileira. Com alguma hesitação, o Ministério da Economia, um dos nichos de racionalidade no atual governo, começa a buscar as suas alternativas. Impossível deixar de notar o contraste em relação à postura do presidente Jair Bolsonaro. Mesmo com o país diante de um dos maiores desafios de sua história, a figura que ocupa o mais alto cargo da República segue submersa em uma dimensão paralela, mais preocupado com conspirações fantasiosas e inimigos políticos e ideológicos. Sorte que o Brasil encontra responsabilidade em parte das áreas essenciais do governo, como na Saúde e na Economia, e nos outros poderes há lideranças que, mesmo passíveis de críticas pontuais, entendem a gravidade da situação e se mostram prontos para colaborar com o país.

 Mesmo com o arsenal reduzido devido à frágil situação fiscal, o Brasil tem de achar meios para impedir um novo mergulho recessivo

 


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