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Cuiabá MT, Sábado, 15 de Agosto de 2020
Editoriais
Sábado, 21 de Março de 2020, 00h:10

Precisamos agir agora

Há duas formas conhecidas até aqui de impedir que o coronavírus se converta em uma tragédia humana em larga escala. Na primeira, adotada com relativo sucesso em Singapura, Hong Kong e Coreia do Sul, aplicam-se testes em massa e se mantém um rígido controle dos infectados, que são imediatamente internados enquanto os serviços de vigilância identificam todos que tiverem contato recente e os obrigam a uma quarentena. Na segunda alternativa, casos de China, Itália e Espanha, recorre-se a um fechamento generalizado de atividades, forçando-se a população a ficar em casa para reduzir drasticamente a circulação do vírus. Sem ter a quem contaminar, o vírus tende a deixar de se multiplicar.

No Brasil, diante da evidente impossibilidade material, social, demográfica e cultural de se repetir o método de Singapura, não há mais tempo a desperdiçar antes de os governantes tomarem decisões mais duras. Quanto mais cedo novas restrições forem adotadas, menos tempo se conviverá com a pandemia e menos severos serão seus legados humanos e econômicos. A expressão “achatar a curva” deve ser a palavra de ordem a partir de agora. Ela pressupõe que deve ser feito todo o esforço possível o quanto antes para que o número de contaminações siga uma trajetória administrável, de modo que o já alquebrado sistema hospitalar brasileiro não imploda e pacientes morram nos corredores ou nas ruas.

A irresponsabilidade e o negacionismo no combate ao vírus, que foram até aqui a marca pessoal do presidente Jair Bolsonaro e alguns de seus assessores, lembram a fase inicial da doença no irã. Membros do alto escalão contaminados e necrotérios abarrotados foram o despertador que o Irã precisava para adotar o caminho do esvaziamento das ruas. Aos poucos, o Palácio do Planalto parece sair de sua letargia, mas falta muito. Até o modesto Paraguai, com suas precárias condições e recursos, assumiu restrições à circulação local, regional e internacional que Bolsonaro em sua bolha resiste a adotar.

Na federação brasileira, felizmente, os entes estaduais e municipais têm razoável poder de mando e, no vácuo federal, aqui e ali vem dando exemplos de coragem e velocidade no enfrentamento da doença. São os casos dos governos do Rio de Janeiro, entre outros, que entendeu que é preferível um desgaste e uma crise aguda, mas transitória, do que uma tragédia crônica, sem fundo e sem fim.

Nesta mesma linha, o governador Mauro Mendes, age corretamente ao assumir sua responsabilidade como líder principal de Mato Grosso e decreta o progressivo fechamento das atividades privadas e públicas. Por mais sacrifícios que sejam impostos agora e muitos outros daqui para a frente, é preciso disciplina, compreensão e colaboração gerais para que as medidas sejam eficazes, de modo que durem o menor tempo possível. A saúde e o futuro de todos estão em jogo agora. Não há mais espaço para titubeios, vacilações ou contemporizações.

 

Quanto mais cedo novas restrições forem adotadas, menos tempo se

conviverá com a pandemia


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