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Sexta-feira, 04 de Janeiro de 2019, 16h:59

SITUAÇÃO

Caótico, time da cidade de Neymar é o pior de SP

ALEX SABINO e LUIZ COSENZO
Da Folhapress – São Paulo
Mogi das Cruzes deu ao Brasil o melhor jogador do país. Neymar, atacante do PSG (FRA), é cidadão local. Mas o município ofereceu também a São Paulo o pior time de 2018. O Atlético de Mogi foi o último colocado da 2ª divisão do Estadual. Apesar da nomenclatura, é a quarta e última liga do futebol paulista. Em 14 jogos, empatou um e perdeu 13. Marcou três gols e levou 46. O clube viveu situação caótica. Na última rodada, contra o Paulista, o elenco se recusou a entrar no ônibus para Jundiaí. O Atlético deu WO e foi declarado perdedor por 3 a 0. "Os jogadores disseram que não entrariam no ônibus. Foi o jeito que encontraram para protestar [pelos salários atrasados]", afirma Joaquim Carlos Paixão Júnior, presidente do clube de Mogi. Advogado e dono de escritório de contabilidade, Paixão não morre de amores pelo cargo. Concorda que não vale a pena, mas não vê saída. "Gosto de futebol. Claro que não compensa. Sou advogado. As pessoas cobram por causa da situação do time. Minha família também está descontente", afirma. Nas últimas semanas, a reportagem ouviu pessoas ligadas ao time e um jogador que participou da campanha. A situação do clube é precária e nem campo para treinar estava disponível todos os dias. Assim como aconteceu no União Mogi, outra equipe local, os elencos dependiam da Prefeitura ceder campo municipal de terra. No clássico contra o União, Vinicius, do Atlético, usava a camisa 11. Teve de trocar pela 27 porque o número original rasgou e não havia peça de reposição. Nas súmulas dos jogos na 2ª divisão não constam para o Atlético massagista, auxiliar ou preparador de goleiros. Mesmo depois da eliminação no torneio, o clube acumulou vexames. Fez dez partidas no Paulista sub-20. Perdeu todas. Levou 60 gols. Contra o São José, o confronto foi encerrado no início do 2º tempo porque dois jogadores dos visitantes deixaram o campo alegando contusões. Aquilo deixou o Atlético com apenas seis em condições de continuar, número inferior ao permitido pelas regras do futebol. Parte do time não apareceu para a viagem. O Atlético iniciou com apenas oito jogadores. Quando o árbitro encerrou a partida, o São José vencia por 13 a 0. "O problema é a credibilidade. Não há estrutura. As pessoas preferem apoiar o basquete", afirma Rovani Medeiros, que ajudou a implantar o Atlético quando este foi criado, em 2004. Ele se refere ao Mogi Basquete, vice brasileiro e da Liga das Américas de 2018. O futebol do Atlético é mantido pelo empresário Roberto Costa, que tenta fazer negócios com o exterior. No site oficial, os jogadores têm biografia em português e inglês, com textos sempre elogiosos. O principal cartão de visitas utilizado por ele é ter levado o atacante Maicon Oliveira para o Volyn (UCR), em 2009. O atleta morreu em um acidente de carro cinco anos depois. A reportagem tentou falar com Costa, mas não teve sucesso. Ele é descrito no site do Atlético como sócio-proprietário. O filho Robertinho é diretor de futebol e Roan Costa, seu irmão, atua como zagueiro desde 2016, quando tinha 17 anos. Segundo Paixão, o futuro está indefinido. É preciso saber se Costa pretende seguir. " O clube busca fazer negociações para o exterior, mas até hoje o único foi o menino vendido para a Ucrânia. Assim é difícil. Nem torcida temos ", diz o presidente. Nos 7 jogos como mandante na 2ª divisão, a média do Atlético foi de 57 pagantes. "Às vezes a gente tem de tomar prejuízo para preservar a nossa imagem", finaliza. Ele se refere a episódio de 2017 em que o Conselho Tutelar denunciou o clube por causa de oito menores alojados em uma pensão da cidade em condições precárias. Dois afirmaram terem pago R$ 500 por mês ao técnico Emerson França para fazerem parte do elenco. Paixão teve de quitar a volta deles para suas cidades de origem. Apesar dos problemas, o Atlético anunciou a busca por sócios e investidores interessados na terceirização das categorias de base. A reportagem telefonou para o número anunciado, mas a pessoa que atendeu ao chamado se negou a dar qualquer informação ou se identificar. Em nenhum momento passou pela cabeça dos dirigentes tentar algum contato com a família de Neymar. Quando o atacante nasceu, em 1992, seu pai atuava pelo União Mogi. "O Neymar apenas nasceu aqui. Não tem ligação nenhuma com a cidade. A gente precisa de investidor para fazer futebol. O clube não tem como sobreviver sozinho", afirma Paixão.

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