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Quinta-feira, 03 de Janeiro de 2019, 18h:19

NEGÓCIOS

Copinha 2019 também embala sonho de empresários

ALEX SABINO e LUIZ COSENZO
Da Folhapress – São Paulo
Entre todos os chavões da Copa São Paulo, que começou na quarta-feira, o maior é o sonho do garoto do time pequeno de encontrar a fama e a fortuna. Mas e quando o sonho é do dono do time/treinador/dirigente/empresário? "Aqui eu sou diretor, treinador, roupeiro, lavador de roupa, roço o campo. Sou tudo. Aqui é um time muito pobre", afirma Oziel Moreira. Ele é diretor das categorias de base do Galvez, do Acre, e técnico do sub-20. Ontem, a equipe estreou contra o Palmeiras, em Capivari, pelo grupo 13. Na prática ele é o responsável pelas categorias de base da equipe fundada em 2011 por policiais militares do estado. Subtenente da PM, ele entrou no clube para ajudar o filho, o atacante Tiago Moreira. E fazer com que ele tenha sucesso na Copinha é uma das prioridades. "Eu entrei nessa vida por causa dele. Mas ele joga muito. Montamos o time e fomos ganhando. O Tiago é titular, mas ganhou a posição no campo", afirma Moreira. Inchada com 128 participantes divididos em 32 grupos, a Copa São Paulo convive há alguns anos com a acusação de ter se tornado uma plataforma para empresários ou clubes que têm como objetivo vender jogadores. O Galvez é um desses casos, embora seu dirigente diga que a meta é vencer os jogos. Há outros times menos discretos e que de forma escancarada estão no torneio para buscar fazer negócios. O FF Sports, de Alagoas, não faz muita questão de esconder que a questão financeira pesa mais do que a esportiva. As letras FF são iniciais de Francisco Ferro, que comprou um time de várzea do estado em 2009 e o profissionalizou. "Na segunda divisão alagoana ficamos com a terceira posição. Mas nosso objetivo não é conquistar títulos, não. É revelar jogadores", afirma Ferro. Em nome da recuperação do investimento ele selecionou com cuidado os garotos que embarcaram na última sexta (28) para São Paulo. O destino era Assis (439 km da capital), onde o time está no grupo 4, ao lado do Vocem, Vitória da Conquista e Sport. Assim como Oziel Moreira no Galvez, Ferro é o responsável por tudo no FF Sports. "Sou presidente, roupeiro, tudo. Eu fui o fundador e sou o dono do clube. Nosso negócio é levar jogadores para o exterior. Temos atletas na Europa e em outros times do Nordeste. Não gosto que me chamem de empresário porque isso remete a alguém poderoso, coisa que eu não sou", afirma ele, que foi presidente do CSA entre 2006 e 2007. Para o FF Sports, a Copa São Paulo é a maior vitrine da história. Para os jogadores também, claro. Mas principalmente para o dono. "Quando eu era presidente do CSA, tinha empresa de carne. Hoje trabalho só com futebol. Quando saí do CSA tive a ideia de montar um time. Coloquei quase R$ 500 mil no CSA e não recuperei nada. Perdi foi a família, a minha mulher me deu um pé na bunda", se recorda Ferro, que vê a Copinha como uma oportunidade de fazer bons negócios. A equipe estreia nesta quinta, contra o Sport. A esperança de Oziel Moreira é que o Galvez possa seguir o mesmo caminho. Porque para reforçar o elenco, ele passou pelos principais clubes do Acre para recrutar jogadores para a Copinha. O discurso era o mesmo. No Galvez, eles teriam a chance de aparecer. Seria bom para todas as partes envolvidas. Mas o responsável pelas categorias de base deixou claro que qualquer lucro seria futuro. No presente, o clube não tem condições de pagar nada. Na definição dele, é um time "0800", prefixo das ligações gratuitas. "Não temos como pagar ninguém. Eu também trabalho de graça. Disputar a Copinha era o meu sonho. É uma grande oportunidade de fazer história. Dinheiro pode vir em seguida", afirma o dirigente que estará acompanhando a delegação em São Paulo para, como sempre, ser o faz-tudo do clube.

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