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Sexta-feira, 18 de Janeiro de 2019, 17h:59

FUTEBOL-NEGÓCIOS

Empresário que trouxe MSI e Doyen para o Brasil se mantém influente no futebol

ALEX SABINO
Da Folhapress - São Paulo
Integrantes do comitê de gestão do Santos foram chamados para reunião em um hotel de São Paulo em 4 de fevereiro do ano passado. No mesmo dia, o time enfrentaria o Palmeiras no Allianz Parque pelo Estadual. O encontro era para tratar com agentes do zagueiro Lucas Veríssimo e empresários russos uma possível transferência para o Spartak Moscou. Pouco antes do encontro, os participantes receberam mensagem de José Carlos Peres, presidente do Santos, com um endereço. A reunião não seria mais em um hotel. O novo local era uma casa nos Jardins, onde Renato Duprat os esperava. Ninguém entendeu muito bem. Chamado para o evento apenas após insistência de Andres Rueda, integrante do comitê de gestão, o então gerente de futebol Gustavo Vieira de Oliveira se irritou duas vezes. Por ter sido convocado com o encontro em andamento e por este ter sido na presença de Duprat, que não tinha nada a ver com a negociação. O empresário disse que estava "recebendo" o encontro por ser amigo dos russos. Foi o momento em que Peres passou a conviver com acusações dentro do clube, vindas da oposição, de que Duprat é uma eminência parda da sua administração. "Não tem o menor cabimento. Ele não fez nenhum negócio com o Santos na minha gestão, não tem influência. Por causa dessa reunião para tratar do Veríssimo, começou essa história. Ele é muito santista e gosta de conversar sobre o Santos, mas eu nunca admiti intromissão na gestão e isso sempre foi respeitado", afirma o presidente. Mesmo a contragosto de Peres, Duprat virou nome na boca da maioria dos oposicionistas no conselho deliberativo. Ele seria o mentor de uma aproximação ao Athletico-PR, que teria resultado na contratação de funcionários do clube de Curitiba, como o gerente jurídico Rodrigo Gama, e na saída de jogadores da Vila Belmiro, como Robson Bambu e Leo Cittadini, na direção oposta. A suposta ligação foi batizada como "República de Curitiba". "É muita maldade ligar a gestão ao Renato Duprat, contra quem eu não tenho nada. Aqui no Santos a melhor proposta sempre será levada em conta. Não importa o empresário", afirma Peres, que trava uma disputa nos bastidores do Santos desde que assumiu, em janeiro de 2018. Além dos problemas financeiros, vê oposição ferrenha de grande parte do conselho deliberativo, que tentou derrubá-lo em processo de impeachment –a iniciativa fracassou na assembleia de sócios. O advogado de Peres na defesa do processo de impeachment foi José Edgard Galvão Machado. A indicação foi feita por Duprat, o que foi reconhecido pelo próprio Machado. Ex-patrocinador do Santos, Renato Duprat age nos bastidores do futebol brasileiro há pelo menos 25 anos. Dono da Unicór, empresa de plano de saúde que chegou a ter 270 mil clientes nos anos 1990, ele estampou a marca da empresa entre 1995 e 1999 no uniforme do Santos. Chegou a cogitar ser o sucessor do então presidente Samir Abdul-Hak. No período, pagava R$ 1,5 milhão por ano ao Santos. Corrigido, o valor hoje seria de R$ 5,2 milhões. Ajudou a quitar salários do técnico Emerson Leão (1998) e do goleiro Zetti (entre 1997 e 1998). Mas a companhia quebrou e deixou de pagar hospitais, médicos e clínicas credenciadas. Em 1ª instância no Tribunal de Justiça de São Paulo, há 16 processos contra Duprat, sendo 15 deles de execução fiscal. Treze abertos pela Prefeitura da capital. Outros dois, pela de Santo André. As causas totalizam R$ 108.205. Há também carta precatória de execução em Itu de R$ 2.080.190,51. Há quatros processos de execução contra a Unicór, no total de R$ 399.781,14. Em 2004, Duprat passou um dia preso por causa de uma ação trabalhista contra ele. Em 2007, levantamento da Folha de S. Paulo estimou a dívida total de Duprat em R$ 114 milhões. A partir do fim da companhia, o empresário continuou envolvido no futebol de forma pública na chegada da MSI ao Corinthians. Ele foi um dos principais nomes da empresa ao lado do iraniano Kia Jooranchian, entre 2004 e 2006. "O Duprat foi quem apresentou a MSI ao Corinthians", afirma o conselheiro corintiano Romeu Tuma Júnior, um dos maiores opositores da parceria que conquistou o Brasileiro de 2005, mas depois naufragou e acabou investigada pelo Ministério Público por suspeita de lavagem de dinheiro. Duprat passou a agir nos bastidores depois disso, sem aparecer. Tentou intermediar negociações no São Paulo, Flamengo e outros grandes do país. Atuou em parceria com o agente israelense Pini Zahavi. Entrou na negociação para trazer para o Brasil a Doyen -grupo de investimento com sede em Malta. Fechou, ao lado do CEO da empresa, Nelio Lucas, a aquisição de Leandro Damião pelo Santos. Ofereceu acordos para outras equipes. A reportagem apurou com pessoas que estavam na negociação que a dupla da Doyen agiu de forma que até assessores mais próximos do então presidente Odilio Rodrigues Filho consideraram truculenta para que o acordo se concretizasse. A negociação por Damião, em campo, foi ruim. O atacante ficou no clube apenas em 2014. Depois foi emprestado para Cruzeiro, Bétis (ESP) e Flamengo. Financeiramente, resultou em dívida do Santos com a Doyen de R$ 83 milhões. Antigos parceiros de Duprat, Nelio Lucas e Kia Joorabchian estão rompidos com ele. Lucas, que tinha uma carta do Santos o autorizando a negociar Lucas Veríssimo com o exterior, tem evitado aparições públicas por causa de dívidas. A trajetória de Duprat e a sua volta ao Santos fez com que o fantasma de sua história na Vila Belmiro pairasse sobre o presidente José Carlos Peres, que nega que o empresário indique funcionários ou sugira ações administrativas. Duprat chegou a intermediar um acordo com uma instituição bancária para o Santos receber empréstimo de R$ 82 milhões a ser quitado quando o Real Madrid pagar a segunda parcela da compra de Rodrygo, em junho. O negócio estava alinhavado, mas, no momento da assinatura, Peres desistiu e preferiu fechar com a Sport Value, empresa que cedeu a quantia com juros de 6,5% (R$ 2,5 milhões). A reportagem tentou falar com Duprat, mas ele não atendeu o telefone ou respondeu à mensagem enviada. NEGÓCIOS DE DUPRAT: 1995 - Unicór Foi dono da empresa de plano de saúde que chegou a ter 270 mil clientes nos anos 1990. O grupo estampou a marca entre 1995 e 1999 no uniforme do Santos. A empresa faliu 2004 - MSI Esteve à frente do projeto da MSI, do iraniano Kia Joorabchian, no Corinthians. O grupo investiu no clube paulista e contratou jogadores como Tevez e Mascherano. A parceria terminou com a empresa acusada de lavagem de dinheiro 2014 - Doyen Fez a ligação entre o grupo de investimento com sede em Malta que atua no futebol com o Santos. Na empreitada, o clube contratou Leandro Damião e ficou com uma dívida de R$ 83 milhões PERFIL - Renato Duprat Empresário, apareceu no futebol no meio dos anos 1990, como patrocinador do Santos, seu time do coração. Dono da Unicór, ficou no clube até 1999. A empresa faliu em 2001

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