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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2021, 00h:00

PELÉ-DOCUMENTÁRIO

"Não posso mudar a lei", diz Pelé sobre crítica por posicionamento político

"Não posso mudar a lei", diz Pelé sobre crítica por posicionamento político

GABRIEL CARNEIRO
Da Folhapress - São Paulo
Pelé

"Pelé". O documentário sobre o Rei do Futebol que a Netflix estreia na próxima terça-feira (23) tem um título simples, mas uma grande ambição: falar o que nunca foi falado sobre uma das personalidades mais exploradas pela TV e o cinema nas últimas décadas, da infância ao auge, com o tricampeonato da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970. Para isso, investe em um tema polêmico: a relação de Pelé com a política.

O uso político de sua imagem é assunto no filme dirigido pelos britânicos David Tryhorn e Ben Nicholas, como na foto de Pelé com o então presidente Emílio Garrastazu Médici após a vitória brasileira em 70. A campanha do tri foi explorada pela Ditadura Militar como forma de propaganda, pois Médici era apresentado como "homem do povo" e "apaixonado por futebol" ao mesmo tempo em que conduzia o Governo mais repressivo da história do país. Pelé conta, em material de divulgação da Netflix, qual é o papel em que se vê.

A foto ao lado de Médici não foi o único momento explícito de participação política de Pelé. Quatro anos depois, no Mundial de 1974, ele disse ter boicotado a competição porque "estava infeliz com a situação da Ditadura no país." Após a redemocratização, esteve com Tancredo Neves, José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso (de quem foi ministro), Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer. Para Jair Bolsonaro mandou entregar uma camisa do Santos assinada em novembro do ano passado, já em isolamento por causa da pandemia.

Associar a imagem a políticos de tão diferentes espectros tem uma justificativa. Pelé diz que é por educação, para não parecer arrogante por recusar convites de chefes de Estado.

"Normalmente as pessoas esquecem que o ser humano também tem, às vezes, algum momento de emoção, alguma falha. E claro que eu sendo ser humano tive algumas surpresas, algumas falhas. Mas que me fizeram pensar na época na minha carreira, na minha vida, no meu futuro que estava por vir, em como respeitar e tratar as pessoas. E viajando no mundo todo, conheci presidentes da República, atletas, políticos famosos, cantores, mágicos, enfim (...) Eu procurava nunca mostrar para ele que era o Pelé, isso aprendi com minha família. Eu nunca quis ser mais importante, nem melhor que ninguém. Eu era um excelente jogador de futebol, porque Deus me ajudava muito, e procurava passar isso para as pessoas. Acho que é por isso que hoje, em qualquer país do mundo que eu vá, eu tenho as portas abertas."

Ainda assim, as cobranças por posicionamento político são constantes, como explica Pelé: "Em lugares que eu passo ou chego, em aeroporto, restaurante quando a gente vai almoçar, é uma coisa engraçada, porque os caras misturam as coisas, vêm me cobrando. Vem cá, eu era jogador de futebol, gostava de jogar, gostava muito, mas eu não sou político, eu sou brasileiro (...) porque a gente torce para que o povo não sofra, para que os políticos honestos estejam para administrar o país, mas infelizmente não podemos mudar", diz, antes de completar:

Além deste contexto político, o documentário prestes a ser lançado pela Netflix reflete sobre outros assuntos ao tratar Pelé como "herói nacional durante uma era radical e turbulenta da história brasileira". Nos materiais de divulgação da obra, ele foi questionado sobre legado. Do Brasil para ele e dele para o Brasil. E respondeu assim:

"É uma pergunta que me pega sempre de surpresa, porque é difícil você fazer uma comparação, sei lá. Não sei se eu agradeço o legado que eu deixei para o Brasil ou se o Brasil que me deu uma oportunidade de aparecer para o mundo, fica difícil responder. Mas eu acho que em termos de deixar o legado eu me orgulho de ouvir muita gente que fala, que me agradece e tal, dizendo que eu fiz o Brasil se tornar conhecido no mundo todo por causa do futebol. E o futebol é uma coisa internacional. Acho que é esse o legado que eu deixei, deixei o Brasil mais conhecido."

 


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