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ILUSTRADO
Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016, 19h:09

DOCUMENTÁRIO

Brian De Palma fala da carreira, de técnicas e Fracassos

LUIZ ZANIN ORICCHIO
Agência Estado
De muitos filmes se diz, com certo exagero, que são "aulas de cinema". Bem, se existe um que merece esse título, sem aspas, é mesmo este De Palma, de Noah Baumbach e Jake Paltrow. Nele, o cineasta Brian De Palma passa em revista sua carreira, da formação escolar até os primeiros sucessos junto à turma de jovens inovadores de Hollywood. Fala dos seus métodos de filmagem, de suas influências, e abre uma janela para os bastidores da indústria. Talvez o fato de ser filmado por um colega cineasta, como Baumbach, tenha facilitado as coisas. O fato é que o diretor de Vestida para Matar e Os Intocáveis se abre mesmo para a câmera. Quase todo o tempo postado no mesmo cenário, e com pouca variação de enquadramento, fala do seu trabalho e o faz sem preocupações de didatismo, mas de maneira simples e sem grandes teorizações. Porém nunca banaliza o ato de filmar, essa arte que desenvolve nas entranhas de uma indústria poderosa, o que é tanto sua força como sua fraqueza. Mas o documentário não abre com imagens de De Palma ou de um dos seus filmes, mas com o clássico O Corpo que Cai, de Alfred Hitchcock. O fato é que De Palma é um dos cineastas mais conscientemente influenciados pelo velho Hitch. A carreira de De Palma, descrita por ele mesmo, é a de um cinéfilo. E que não limitou suas influências ao cinema de seu país. Além de Hitchcock, não ficou indiferente às tendências inovadoras propostas pela nouvelle vague. A ponto de rodar um filme de sintaxe godardiana como Greetings (Saudações) em 1968. Mas Irmãs Diabólicas, Trágica Obsessão, Carrie, a Estranha e Vestida para Matar são seus diálogos com o suspense e o medo. Sabe que, para isso, o estabelecimento de um clima com o espectador é fundamental. Toda a técnica é jogada nessa construção cinematográfica. Há pontos fora da curva, um deles o flop de O Fantasma do Paraíso (1974), execrado no lançamento. De Palma se lembra que a crítica no New York Times foi tão virulenta que provocou efeito reverso e despertou simpatia pelo diretor em outros veículos. A influente Pauline Kael, na revista New Yorker, o defendeu. Ele próprio reconhece o fracasso de um projeto que tinha origem na crítica da indústria musical, "que pasteuriza tudo" mas estabelecia relações em várias direções a ponto de virar pastiche. O que é hábito e um estilo em De Palma: o recurso às referências Não é garantia de êxito, mas às vezes diálogos como mestres produzem boas coisas. É o que acontece talvez com seu melhor filme, Um Tiro na Noite (1981), Blow Out, no original, um diálogo próximo com Blow Up, de Michelangelo Antonioni, adaptado de Julio Cortázar.

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