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Cuiabá MT, Sábado, 04 de Julho de 2020
ILUSTRADO
Terça-feira, 22 de Janeiro de 2019, 17h:07

SÉRIE-CRÍTICA

'Camping' reúne grupo de gente horrível em viagem desinteressante

TETÉ RIBEIRO
Da Folhapress - São Paulo
Quando Quentin Tarantino lançou "Pulp Fiction", em 1994, dois anos depois de sua badalada estreia no cinema com "Cães de Aluguel", de 1992, ele brincou em uma entrevista que pensou em botar o título "O Primeiro Era Melhor" em seu segundo filme, adiantando as críticas. Não foi o caso. "Pulp Fiction" é uma obra-prima e fez muito mais sucesso que "Cães de Aluguel". Mas é o que acontece com "Camping", série cômica da HBO, com oito episódios de cerca de meia hora cada um, criada pela dupla de roteiristas de "Girls", exibida no mesmo canal entre 2012 e 2017. Adaptada de uma série inglesa homônima de 2016, a versão americana tem até algumas boas piadas e situações divertidas, mas faz o telespectador torcer para que coisas horríveis aconteçam com aquele grupo de gente igualmente horrível. A personagem central é Kathryn, interpretada com vigor por Jennifer Garner, em sua volta à TV depois de muitos anos. Ela é a organizadora neurótica do tal acampamento, bolado para comemorar o aniversário de 45 anos de seu marido, Walt, vivido por David Tennant (de "Broadchurch"). Os convidados são três casais amigos de Walt, todos irritantes e sem noção de seus defeitos. A irmã de Kathryn, Carleen, é uma apatetada que tem um marido alcoólatra, Joe, e os dois trazem a filha adolescente rebelde de surpresa, para horror da anfitriã. O irmão de Walt, George, tenta fazer todo mundo se divertir e não percebe que sua esposa não tolera a protagonista. O terceiro amigo, Miguel, chega com uma novidade: acabou de se separar da mulher, que era amiga do grupo, e está apaixonado pela nova namorada, Jandice, uma hippie new age interpretada por Juliette Lewis. Ela, aliás, é a única que faz sua personagem parecer real em alguns raros momentos. Garner também se esforça, mas tem cenas tão absurdas que chega a dar pena da atriz. Claro que dá tudo errado no fim de semana, e Kathryn, que tinha planejado todas as atividades minuto a minuto, entra em desespero. Seu filho, Orvis, também acampado, leva uma trombada de Jandice em um jogo e bate a cabeça. Ele está bem, mas a mãe faz questão de levá-lo a um hospital, onde insiste, histérica, que façam todos os exames nele, e até nela, que está muito alterada. Essa cena toda não tem graça nenhuma, como a maioria delas, mas tem um diálogo doce. Kathryn se deita ao lado do filho na cama e diz: "É possível parecer bem mas se sentir muito mal por dentro". Há partes divertidas em "Camping", mas estão no meio de tantas outras sem sentido algum, com personagens tão sem carisma e verdade, que as risadas não chegam a acontecer. Tudo que Lena Dunham e Jenni Konner ousaram em "Girls" deixaram de fora desse programa. Talvez o problema seja geracional. Os personagens aqui são quarentões, bem mais velhos que Dunham - que pelo jeito está apavorada com a ideia de se tornar um desses daqui a pouco. Em resumo, "Camping" conta a história de uma viagem que ninguém gostaria de fazer, com pessoas que você odiaria conhecer, fazendo coisas quase tão embaraçosas que fica difícil assistir. CAMPING Primeira temporada disponível na HBOGo AVALIAÇÃO Ruim

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