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Quarta-feira, 08 de Julho de 2020, 00h:00

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"Cursed": Com rei Arthur negro e protagonista feminina, série leva Távola Redonda para o século XXI

Baseada em livro de Frank Miller e Tom Wheeler, série é estrelada por Katherine Langford, de "13 reasons why"

LUIZA BARROS
Da Agência Globo - Rio
Cursed

Como trazer algo novo para uma história que é contada há mais de mil anos? Esta foi a principal pergunta feita pelo quadrinista Frank Miller e o roteirista Tom Wheeler quando eles se propuseram a atualizar a lenda do Rei Arthur no livro ilustrado “Cursed”, origem da série “Cursed - A lenda do lago”, que estreia na Netflix em 17 de julho.

— Tínhamos que pensar em algo que não fosse repetitivo — explica Wheeler, que também é o showrunner da série, por videoconferência. — Logo no começo, uma das imagens que ressoou conosco foi a da jovem mulher saindo do lago e dando a excalibur a Arthur. E simbólica e também levanta muitas perguntas: quem é ela e qual é a sua relação com Arthur? Qual é a relação dela com a espada? Em geral eu não sabia a resposta para essas perguntas, então me empolguei em respondê-las.

Foi assim que ele e Miller, criador de quadrinhos como “Sin City” e “300”, criaram a versão deles para a história da Dama do Lago, a feiticeira responsável por entregar a Arthur a lendária excalibur. Na literatura medieval, há diversas versões sobre a personagem, suas origens e sua função nos contos da Távola Redonda, a começar pelo próprio nome, sendo chamada ao longo dos séculos por variações entre Nimue, Ninianne e Viviane.

Seja como for, na versão da dupla americana, Nimue (Katherine Langford, a Hannah de “13 reasons why”) é uma jovem feiticeira ainda incapaz de controlar seus poderes. Depois de uma tragédia, ela se vê com a excalibur nas mãos e a missão de levá-la até Merlin. A trama de “Cursed”, portanto, funciona como uma espécie de “prequel” do conto clássico, mostrando o que aconteceu antes de Arthur virar o dono da arma.

— Foi uma oportunidade de também contar a história pelos olhos de uma jovem mulher, e fiz isso pensando na minha filha de 10 anos. No dia em que ela foi pela primeira vez ao set, viu Katherine caracterizada com a espada. Então a primeira ligação que ela teve com a história foi ver uma mulher como uma heroína — diz Wheeler.

A mudança de foco do protagonismo de um Arthur ou de Lancelot para uma feiticeira não foi a única liberdade tomada pelos criadores da série. Vivido por pelo sueco Gustaf Skarsgård (irmão do também ator Alexander Skarsgård), o mago Merlin aparece em uma versão muito mais vulnerável, com ares de Jack Sparrow e ainda sem domínio de si mesmo e suas habilidades.

— Queríamos um Merlin mais humano. Ele não é um personagem que está dez passos à frente de todo mundo, é mais volátil e emocional. Muito disso é porque estamos introduzindo esses personagens em uma época diferente do mito tradicional. Ao mesmo tempo, Frank e eu vemos esses personagens de forma sagrada. Era importante que por mais que eles parecessem mudados, mas queríamos que no interior eles fossem quem sempre conhecemos — diz Wheeler.

Outra grande decisão foi a de escalar um ator negro, o americano Devon Terrell, para viver Arthur. Terrell é mais conhecido por ter vivido o jovem Barack Obama em “Barry”, cinebiografia da Netflix de 2016.

— É uma história para o mundo, e queremos que o mundo se veja refletido nesses personagens. Logo no começo, decidimos não impor limites em quem procurar para esses papéis e que queríamos um dos elencos mais diversos já feitos para uma produção de fantasia. O que eu não tinha como saber é quão perfeito Devon seria. Ele representa tudo que Arthur representa: o heroísmo, a coragem, a inocência.

Na visão de Wheeler, a lenda milenar de Arthur sempre foi feita de adições e transformações que diziam muito também sobre a época em que essas adaptações foram feitas. Ele lembra que o parceiro Miller cresceu com o desenho da Disney “A espada era a lei” (1963), enquanto ele teve na infância como referências o filme de John Boorman "Excalibur" (1981) e as canções do musical "Camelot".

— As lendas arturianas são o primeiro universo compartilhado, como temos o universo da Marvel hoje. As pessoas a contavam de diferentes formas, e acrescentavam diferentes tons, temas e personagens conforme o mundo mudava.

Essa é uma das duas explicações que ele dá para explicar o fato das histórias da Távola Redonda nunca terem saído de moda.

— Todos nós podemos nos relacionar com uma pessoa jovem que está assumindo mais responsabilidades e encarando seu destino mesmo sem se sentir pronta. Além disso, temos a ideia de um herói que une pessoas de todos os tipos, um personagem que pode liderar a gente para longe da escuridão e perto da luz. E Deus sabe como isso é importante agora, mais do que nunca.

 


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