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Cuiabá MT, Sábado, 04 de Julho de 2020
ILUSTRADO
Sexta-feira, 05 de Junho de 2020, 00h:00

TELEVISÃO

Enquanto gravações não voltam, Globo retoma programas de humor em formato de podcast

"Escolinha do professor Raimundo" e "Fora de hora" vão ganhar episódios inéditos em áudio

LUIZA BARROS
Da Agência Globo- Rio
Bruno Mazzeo, na 'Escolhinha do Professor Raimundo'

O ano era 1952 quando Haroldo Barbosa estreou na Rádio Mayrink Veiga “A escolinha do professor Raimundo”, já com Chico Anysio no papel de Raimundo Nonato. Quase 70 anos depois, a pandemia de Covid-19 fez com que o humorístico, de certa forma, retornasse às suas origens. Com a impossibilidade de realizar gravações nos Estúdios Globo, a nova escolinha — comandada por Bruno Mazzeo — vai virar um podcast gravado remotamente. Em fase de testes, o programa tem estreia prevista para o final de junho.
“A “Escolinha” começou na rádio e foi eternizada pela TV”, comenta Cininha de Paula, diretora da atração.
“De qualquer maneira, a imagem dos atores ainda está na cabeça dos espectadores. Portanto, é fácil ouvir e imaginar o que eles estariam fazendo, ouvir e “vê-los” através da voz. É como se a gente estivesse ouvindo a televisão”, resume.
Ela garante que o trabalho remoto tem suas vantagens: “Consigo manter a disciplina dos alunos melhor, porque, se um fala, exatamente como diria o Professor, o outro tem que baixar a orelha (risos). Acho que vai funcionar bem a direção remota, os atores conseguem a realização do personagem de uma maneira muito íntegra. E temos que nos adaptar aos novos tempos. Enquanto não voltamos presencialmente, vamos voltar às origens”.
Outro humorístico que a Globo adapta para o formato é o “Fora de hora”. Sátira do telejornalismo, o programa será reinventado em um podcast com vozes de Paulo Vieira, Renata Gaspar e Caito Mainier, entre outros. Para Vieira, a maior diferença entre o podcast e a TV é o “tempo” da comédia.
“No podcast, o seu dizer é a única fonte de referência que o ouvinte tem, o que também é muito gostoso. A parte legal é que no áudio não há limite e não temos grandes necessidades de produção. Assim como na escrita, você não precisa ter um elefante em cena para dizer que tem um elefante no estúdio”, acredita.
“No áudio, se eu disser que tem um elefante e o que eu disser que ele fez vai ser entendido como parte da história. O público viaja mais com você”, diz.

O isolamento social também já leva ao surgimento de atrações inéditas no formato: o ator Fernando Caruso e o roteirista Vinicius Antunes preparam uma “podsérie” com o título provisório de “Um crime na quarentena”. Na trama, Caruso é um detetive que tenta desvendar um crime e, ao mesmo tempo, escapar do coronavírus.
“É preciso usar muito a imaginação, tanto para visualizar o que está acontecendo quanto para imaginar como as outras falas serão ditas, já que teremos que gravar separadamente”, explica Caruso.
Para Antunes, a iniciativa de ficção a partir do modelo do podcast herda o legado das radionovelas.
“Sempre tive vontade de escrever uma série em formato de podcast, que remontasse à história das radionovelas, mas modernizando: mais ágil, mais curtinho, por temporada. Enfim, fazer uma mistura de conceitos de série com os de radionovela, juntar isso e fazer uma série de comédia”, detalha.
Também para junho, a Globo pretende lançar ainda o podcast “Espaço mundo mãe”, com histórias infantis contadas pelo jornalista André Curvello, parceiro de Fátima Bernardes no “Encontro”. Já o “Clube do livro com Antonio Fagundes”, lançado no ano passado a partir da trama da novela “Bom sucesso”, em que o veterano vivia um editor de livros, volta para uma segunda temporada, com data ainda a definir.
“A oferta de podcasts é mais uma opção de lazer para o público que está em casa durante a quarentena”, afirma Erick Bretas, diretor de Produtos e Serviços Digitais da Globo. “Nos últimos anos, temos visto um crescimento constante do consumo de podcasts no Brasil. Olhamos com entusiasmo para esta tendência”.
Gerente de conteúdo do Gshow, Bianca Kleinpaul acredita que o investimento em podcasts ganhou outra dimensão. O gênero, que ainda se populariza no país, costuma ser consumido durante o desempenho de outras atividades, como exercícios físicos, deslocamento no transporte público ou tarefas domésticas.
“O público está consumindo conteúdo mais do que nunca, e também em áudio. Mesmo com o podcast sendo muito associado ao deslocamento das pessoas, vemos que o uso de assistente de voz já é uma realidade dentro de casa. E ele também é muito usado durante funções domésticas, como lavar a louça”, avalia.

 

Podcasts de entretenimento

“Fora de hora”: toda terça-feira, a partir de 9 de junho

“Escolinha do professor Raimundo”: estreia prevista para o final de junho

“Um crime na quarentena”: estreia prevista para o final de junho

“Diálogos virtuais”: novos episódios toda semana

“Herança de ódio” (radionovela derivada de “Êta mundo bom!”: novos episódios às segundas, quartas e sextas

“Espaço mundo mãe”: em junho

“Conversa com Bial”: novos episódios de terça a sábado

“Clube do Livro com Antonio Fagundes”: em breve, segunda temporada

“Humor Globo”: novos episódios às sextas

“Novela das 9:” episódios especiais em junho


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