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Cuiabá MT, Quinta-feira, 29 de Outubro de 2020
ILUSTRADO
Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020, 12h:01

TV BRASIL/70 ANOS

Estreia da televisão no Brasil completa 70 anos com canais repensando estratégias

LEONARDO SANCHES
Folhapress - São Paulo
Assis Chateaubriand inaugura a TV no Brasil, em 18 de setembro de 1950

 No dia 18 de setembro de 1950, a TV Tupi era inaugurada em São Paulo e se estabelecia como a primeira emissora de televisão da América Latina. Para a estreia daquela novidade tecnológica, um programa de variedades reuniu estrelas conhecidas, até então, pela voz que saía das rádios, como Hebe Camargo, Lolita Rodrigues e Lima Duarte.
Aquela emissão inaugural foi marcada por imprevistos, mas deu início a uma longa e íntima relação entre a televisão e o público brasileiros, que nesta sexta-feira completa sete décadas.
Foi difícil unir os dois. O pai da noiva, o empresário Assis Chateaubriand, precisou trazer equipamentos e aparelhos dos Estados Unidos para que, então, pudesse ampliar seu império da comunicação para uma nova área. Ele já era dono do conglomerado Diários Associados, além de ter sido fundador do Museu de Arte de São Paulo, o Masp.
Poucos meses depois daquele setembro de 1950, o Rio de Janeiro ganhou sua própria versão da TV Tupi, fazendo surgir pelo Brasil uma série de outras empresas querendo surfar nas ondas de transmissão. Mas isso não significa que a TV alcançou o grande público logo de cara.
Só algumas dezenas de televisores sintonizaram na estreia da TV Tupi paulista. Importado, robusto e com programação não contínua -quando não havia atrações no ar, o simpático indiozinho do canal sorria estático na tela-, o aparelho não era acessível para o grosso da população. Foi preciso tempo para que conquistasse prestígio.
Essa história é contada pela Ilustrada numa edição especial que celebra as sete décadas da televisão no Brasil, em reportagens que refletem sobre as diversas faces -ou telas- do meio.
Um dos assuntos onipresentes neles é a ascensão do streaming. Como qualquer casamento, o relacionamento da TV com o público brasileiro já passou por tensões, mas há quem diga que, hoje, ele está diante de uma crise sem precedentes.
A sobrevivência da TV como a conhecemos provoca debates acalorados no mundo inteiro. No Brasil, no entanto, a televisão fechada pode até estar intimidada frente à nova concorrência, mas a aberta segue forte.
Falamos, afinal, de um país em que 96% dos domicílios têm acesso à televisão, de acordo com dados do IBGE de 2018. A porcentagem já foi maior e a internet vem ampliando seu sinal nos rincões do Brasil, mas o número consolida os televisores como a principal fonte de informação e entretenimento do brasileiro.
Grande parte desse entretenimento, inclusive, vem em forma de telenovela, com tramas que se embaralham com a identidade do país e que oferecem, há décadas, retratos do que já foi e do que é a sociedade brasileira.
Há quem diga que elas estão perdendo força diante das gerações mais novas, habituadas ao imediatismo do streaming. A suposta decadência estaria refletida, por exemplo, no fim de diversos contratos de exclusividade que a Globo mantinha com artistas do tamanho de Tarcísio Meira e Glória Menezes.
Mas quem argumenta contra o agouro destaca que sim, são novos tempos, e é justamente para se adequar e continuar de pé que reformulações são feitas.
Os anunciantes -eles também parte importante da trajetória da TV no Brasil- engrossam o coro, já que continuam a se engalfinhar pelos intervalos de uma das fatias mais nobres da programação, a faixa das nove.
Fazendo companhia ao gênero, estão formatos que nascem e renascem, como reality shows, que alimentam a artilharia da TV brasileira frente à ameaça estrangeira -já que, fora o Globoplay, as grandes peças do mercado de streaming vêm de fora.
Talvez já tenha havido tempos melhores para a televisão no Brasil e no mundo, mas sua resiliência nesses 70 anos é prova de que ela pretende continuar ligada por muito mais tempo.


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