NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Sexta-feira, 03 de Julho de 2020
ILUSTRADO
Segunda-feira, 07 de Janeiro de 2019, 16h:46

NETFLIX

Filme interativo de Black Mirror não é profundo como a série, mas é divertido

TONY GOES
Da Folhapress – São Paulo
Em um futuro próximo, você terá acesso a privilégios pelo sucesso que fizer nas redes sociais. Também será possível criar versões virtuais de entes queridos que já morreram. Sem falar no aplicativo de paquera que determina o momento em que se deve romper um namoro. Foram inovações tecnológicas como essas - fictícias, mas verossímeis - que fizeram a fama de "Black Mirror". A série estreou na televisão britânica em 2011, mas só se tornou um fenômeno mundial depois que suas duas primeiras temporadas chegaram à Netflix, em 2015. A plataforma encomendou mais duas levas, e uma quinta está prevista para estrear neste ano. Mas agora há um filme criado dentro do universo da série para saciar os fãs. "Bandersnatch" foi lançado de surpresa no dia 28 como uma história interativa, na qual o espectador pode tomar decisões pelo protagonista. A trama se passa em 1984, quando os videogames ainda estavam nascendo. É para essa indústria incipiente que Stefan (Fionn Whitehead, de "Dunkirk") quer entrar. O personagem é um nerd solitário que vive com o pai viúvo e passa os dias adaptando o livro "Bandersnatch", um labirinto de narrativas escrito por um autor desequilibrado, para uma versão em game. Stefan leva sua ideia à Tuckersoft e é contratado para desenvolvê-la. Mas o rapaz é atormentado pela culpa pela morte da mãe, e o tratamento psiquiátrico que faz parece mais confundi-lo do que ajudá-lo. A todo tempo, o espectador é convidado a fazer escolhas por Stefan. As primeiras não afetam a história: qual cereal ele deve comer ou qual música escutar. Mas, a partir do momento em que recebe a proposta da Tuckersoft, cada clique do espectador o afetará. E, assim, a inovação salta da trama em si para a experiência de assistir ao filme. Só que a sensação de controle é ilusória. Algumas decisões levam a becos sem saída, e o espectador é instado a voltar atrás. A reportagem assistiu duas vezes a "Bandersnatch", a cada vez fazendo escolhas diferentes. E conseguiu ver todos os cinco finais principais. Um deles é metalinguístico: Stefan descobre que é apenas um ator em um set de filmagem. Outros são abruptos, e só um é mais ou menos feliz. É importante ressaltar que a interatividade de "Bandersnatch" só funciona em alguns aparelhos (um logo vermelho aparece no canto esquerdo da tela quando há compatibilidade). Também existe a possibilidade de deixar o filme correr, sem clicar em nada. Segundo relatos, essa opção chega a um final em 90 minutos, e os desfechos alternativos são mostrados após os créditos. "Bandersnatch" não é nem profundo nem surpreendente como os melhores episódios da série, mas é divertido. E vai gerar muito assunto, além de uma questão pertinente: é o público quem controla a narrativa ou o contrário? Como se diz por aí: "Isso é muito 'Black Mirror'". BLACK MIRROR - BANDERSNATCH PAÍS EUA/Reino Unido, 2018 DIREÇÃO David Slade ELENCO Fionn Whitehead, Craig Parkinson, Alice Lowe ONDE Na Netflix AVALIAÇÃO Bom

Comentários







Preencha o formulário e seja o primeiro a comentar esta notícia

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site. Clique aqui para denunciar um comentário.




ENQUETE
O que você achou da decisão da Justiça de decretar lockdown em Cuiabá e VG?
Acertada
Demorou
Antes tarde...
Tanto faz
PARCIAL