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Cuiabá MT, Segunda-feira, 30 de Novembro de 2020
ILUSTRADO
Quarta-feira, 17 de Junho de 2020, 00h:00

GLOBOPLAY

Jim Carrey é apresentador infantil em luto na série "Kidding", que estreia no streaming

Ator retoma parceria com o diretor Michel Gondry, de "Brilho eterno de uma mente sem lembranças"

MARIANE MORISAWA
Da Agência Globo - Los Angeles
Kidding, com Jim Carrey

Com um rosto que aparenta ser feito de elástico, Jim Carrey fez uma geração cair na risada, graças a filmes como “O Máskara” e “Debi & Lóide” (ambos de 1994). Mas também explorou seu lado melancólico em filmes como “O Show de Truman” (1998) e “O mundo de Andy” (1999). Ele combina esses dois traços em “Kidding” (“Brincando”, em tradução direta), série que chegou ao Brasil na última sexta-feira (12), com suas duas temporadas estreando no Globoplay.

O personagem de Carrey, Jeff Pickles, é famoso por fazer um programa infantil com ajuda de marionetes e pregar harmonia e bondade. Usando referências deste universo, trata-se de uma mistura do americano Mr. Rogers (encarnado por Tom Hanks na recente cinebiografia “Um lindo dia na vizinhança”) com nosso Daniel Azulay e um molho de Vila Sésamo. Bem: a fachada de Pickles começa a ruir depois da morte de um de seus filhos, causando preocupação em todos à sua volta, da ex-mulher Jill (Judy Greer), a seu pai e produtor Seb (Frank Langella) e sua irmã e criadora dos bonecos do programa Deirdre (Catherine Keener).

“Kidding” marca o reencontro do astro de 58 anos com o realizador francês Michel Gondry, que o dirigiu em “Brilho eterno de uma mente sem lembranças” (2004) — outra grande atuação dramática de Carrey. O resultado é uma mistura de beleza e estranheza.

"Eu já estava interessado no material, mas Gondry foi o elemento fundamental para que eu aceitasse", disse Carrey em entrevista durante evento da Associação de Críticos de Televisão, em Los Angeles.

O cineasta francês, que além de ser produtor executivo de “Kidding” dirigiu oito dos 20 episódios da série, afirmou ter sido mais fácil lidar com o ator desta vez do que em 2004.

"Ele não teve ego nenhum", contou Gondry.

Carrey rebateu afirmando que agora confiava plenamente no diretor.

‘Passei por isso e aquilo’

Sr. Pickles é alguém com quem Carrey pode se identificar. Afinal, dele sempre se esperou alegria e piadas. Por isso, segundo o ator, alguns anos atrás, não estaria qualificado para interpretar o Sr. Pickles. Mas Carrey passou por momentos dramáticos em sua vida.

 

Em 2015, sua ex-namorada morreu de overdose de medicamentos, e o ator sofreu processos por parte de familiares dela, julgados improcedentes. Carrey também admitiu ter sofrido de depressão. Ele tenta, porém, ver o lado positivo.

"Tudo acontece por uma razão. Tudo o que vem para você, mesmo que seja aterrorizante, te molda e torna mais forte. Depois de tudo o que passei, sinto que posso me sentar com qualquer pessoa, olhar em seus olhos e perguntar: “O que está havendo? O que está acontecendo contigo?”. Eu passei por isso e aquilo e, olha, está tudo bem", disse o ator.

Dave Holstein criou “Kidding” com o ator em mente, porque, para ele, Carrey era o Sr. Rogers de sua geração, alguém que espalhava alegria. E sua ideia ao propor a série não era explorar alguém tendo um colapso, mas afastar-se de seu trabalho anterior, “Weeds”, comédia sobre uma mãe que vira traficante de maconha.

“Weeds era cheia de anti-heróis e pessoas transando com prostitutas ou tomando drogas ou matando gente . Queria tentar achar a jornada de alguém que não queria se tornar mal, mas, sim, permanecer bom", resumiu Holstein.

Para Holstein, “Kidding” não é uma tentativa de fazer uma versão psicopata do Sr. Rogers. Os primeiros episódios são sombrios e tristes, mas ao longo dos capítulos há mais variações de tom.

"Jeff é alguém que, na era sinistra em que vivemos, com tantas mentiras e bullying, não fala palavrão, não mente e quer ser bom e permanecer bom apesar de tudo o que acontece à sua volta", disse o produtor. "Como ele permanece sendo o que foi por 30 anos quando tudo ao redor mudou?"

Metamorfose ambulante

Jim Carrey sabe bem o que é tentar manter a identidade quando a vida vira do avesso.

"O tema da identidade e a tentativa de entender o que é ser uma pessoa autêntica sempre foram questões atraentes para mim. E o que me chamou a atenção em “Kidding” foi a ideia de ver sua vida atingida por um trem de carga e tentar resgatar a ideia anterior que você tinha de si próprio".

Depois de alcançar o estrelato com comédias e ser reconhecido como ator sério, levando dois Globos de Ouro na categoria drama, nos últimos anos Jim Carrey tem feito papéis pequenos em filmes grandes e papéis grandes em filmes pequenos. Mas sua criatividade continua à toda. Desde 2017, dedica-se a charges sobre a política dos EUA —nascido no Canadá, tornou-se cidadão americano em 2004. Seu alvo principal é Donald Trump.

"Não é uma escolha para mim", disse o ator. "Estou desenhando porque não suporto ver esse pesadelo. Tinha de fazer algo que fosse pelo menos criativo e decente. Mesmo que seja meio grosseiro às vezes, acredito estar expressando o que todos querem dizer e não podem. Estou farto de tantas mentiras". 


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