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Cuiabá MT, Sábado, 08 de Agosto de 2020
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Domingo, 02 de Agosto de 2020, 12h:14

QUARETENA EM CASA

Lollapalooza chega ao fim neste domingo como mau exemplo de adaptação do real ao virtual

Arcade Fire e The Weeknd são os destaques do último dia; megafestival fez incômoda salada de formatos, indo da reprise ao inédito, da aglomeração de ontem ao sofá de hoje

LUCCAS OLIVEIRA
Da Agência Globo - Rio
A banda canadense Arcade Fire, no Rio; show em 2010 no Lollapalooza dos EUA será exibido no YouTube

Este 2020 era para ser comemorativo para a cidade de Chicago, cuja prefeitura anunciou em outubro passado que seria o “Ano da Música de Chicago”, celebrando a rica herança musical local e seu impacto nos mais diversos gêneros. O 2020 de Chicago — e de praticamente tudo o que conhecemos —, porém, precisou de uma mudança de planos por conta da pandemia. O mesmo aconteceu com o Lollapalooza, a grande celebração musical da cidade desde 1991. O festival, que seria realizado entre quinta e hoje no Grant Park, virou digital, e o tal Ano da Música de Chicago foi estendido para 2021 — quando o Lollapalooza completa 30 anos de vida.

Mas 2020 está aí e o show tem que continuar, de alguma forma. E, após uma maratona de mais de 32 horas de programação divididas entre quatro dias, o Lollapalooza encerra hoje, no YouTube (/Lollapalooza), sua primeira edição 100% digital, a partir das 19h.

Os destaques do dia são as exibições do show que o Arcade Fire fez como headliner em Chicago em 2010 — da turnê de sua pepita indie, o álbum “The suburbs”, que completa dez anos neste mês — às 23h35, da performance do astro do novo r&b The Weeknd no Lollapalooza Chile de 2017 (22h15), do trapstar Future em 2016 (21h05), das bandas indie Yeah Yeah Yeahs (19h) e Portugal. the Man (22h15) em 2009 e 2018, respectivalmente. E também uma apresentação ao vivo da rapper Princess Nokia direto de um palco em Chicago (20h30), e performances inéditas de nomes como Tank and the Bangas e The Neighbourhood (ambas por volta de 0h40), e até Michelle Obama vai dar suas caras ao longo da programação.

Caso não tenha ficado claro no parágrafo anterior, ao virar digital, o Lollapalooza optou por não seguir um único formato possível e abraçou vários, numa espécie de salada de formatos em que o espectador não sabe exatamente o que esperar. Tem show gravado exibido na íntegra ou em trechos, tem (raras) lives, tem curtas performance exclusivas filmadas em casa ou em estúdio...

Na noite de abertura, quinta-feira, por exemplo, quem estava sintonizado no canal do Lollapalooza no YouTube pôde assistir a um animado compacto (vendido como íntegra) do show de Paul McCartney em Chicago, em 2015. Corta a cena, breves comerciais, começa uma performance inédita gravada pela cantora de r&b H.E.R. e sua banda num estúdio especialmente para o evento — coisa breve, 15 minutos. O músico e ativista Tom Morello assumiu de sua casa, também em palinha gravada, tocando uma música no violão. Depois, num espaço de meia hora, foram enfileiradas performances baixo orçamento do grupo colombiano Monsieur Perriné (com músicos devidamente mascarados), do rapper Toosii e do astro pop punk britânico Yungblud. E a festa seguiu com novos flashbacks: três músicas do show da cantora pop Tove Lo em 2017, mais dois números do grupo de hip hop Brockhampton em 2018, fechando com a íntegra do LCD Soundsystem em 2016.

Todos estão fazendo o melhor possível para gerar entretenimento diante das limitações que a pandemia exige, sabemos. Mas será que esse caldeirão de formatos foi o melhor possível para um evento do tamanho do Lollapalooza? Se a intenção era emular minimamente uma experiência de festival, falhou — como pode ser visto nas críticas recebidas em suas redes sociais.

Na prática, foi como assistir a um canal de conteúdos musicais, como o brasileiro Bis, tomando um shot de confusão mental. A sensação é de estranheza quando você pula de um simpático show caseiro, improvisado, feito especialmente para o momento que vivemos, para uma performance em alta definição com uma multidão aglomerada pulando e cantando junto, de um passado que não vemos a hora de poder reviver. É quase um choque térmico.

Veja bem, esta não é uma crítica à reprodução de shows do passado, que tem surgido como uma opção muito válida durante a quarentena tanto para os fãs de música internacional quanto para aqueles que não surfaram muito a onda das lives. O canal Bis é uma pedida nesse sentido, asim como o próprio YouTube, com seu vasto arquivo de shows oficiais e por baixo dos panos. Até mesmo artistas, como Metallica, Radiohead e Sepultura, ou as casas de show, como o Circo Voador, têm disponibilizado seu catálogo na rede. E existem ainda opções próprias para isso, como o serviço por assinatura Qello, repleto de shows históricos em alta qualidade.

Só que há um estado de espírito para isso, outro para as lives super produzidas, outro para as apresentações caseiras. O festival de música eletrônica Tomorrowland, por exemplo, sabe disso e criou uma linguagem própria para o gigital na semana passada, com apenas apresentações inéditas de astros como David Guetta e Katy Perry. Cobrou ingresso, é verdade, enquanto o Lollapalooza disponibiliza seu conteúdo de forma gratuita. Mas a marca gera uma expectativa, que não foi atingida.

Oficialmente, o Lollapalooza Brasil ainda está mantido para dezembro, em São Paulo, mas sabemos que dificilmente será possível realizar algo assim antes de uma vacina. Se a opção for por uma nova experiência digital, que seja menos esquizofrênica.

 

 

Mas 2020 está aí e o show tem que continuar, de alguma forma. E, após uma maratona de mais de 32 horas de programação divididas entre quatro dias, o Lollapalooza encerra hoje, no YouTube (/Lollapalooza), sua primeira edição 100% digital, a partir das 19h.

Os destaques do dia são as exibições do show que o Arcade Fire fez como headliner em Chicago em 2010 — da turnê de sua pepita indie, o álbum “The suburbs”, que completa dez anos neste mês — às 23h35, da performance do astro do novo r&b The Weeknd no Lollapalooza Chile de 2017 (22h15), do trapstar Future em 2016 (21h05), das bandas indie Yeah Yeah Yeahs (19h) e Portugal. the Man (22h15) em 2009 e 2018, respectivalmente. E também uma apresentação ao vivo da rapper Princess Nokia direto de um palco em Chicago (20h30), e performances inéditas de nomes como Tank and the Bangas e The Neighbourhood (ambas por volta de 0h40), e até Michelle Obama vai dar suas caras ao longo da programação.


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