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Quarta-feira, 06 de Janeiro de 2021, 00h:00

CRÍTICA-FILME

"Mulher-Maravilha 1984" não faz jus à heroína

Da Folhapress - São Paulo

Imortal e imune ao envelhecimento, Mulher-Maravilha, papel de Gal Gadot, é uma super-heroína acima do tempo.
Dessa forma, nenhuma surpresa que "Mulher-Maravilha 1984" invista mais uma vez em sua vocação vintage, misturando aventura com filme de época, tal como o primeiro longa da personagem, de 2017 –que introduziu Patty Jenkins no clube fechado dos diretores de ação, ainda frequentado por pouquíssimas mulheres.
Com a ambientação na década de 1980, era esperado um bom proveito cômico dos figurinos e sucessos pop daquele período para embalar as proezas da heroína Diana Prince. Humor, no entanto, é o que mais falta neste filme.
Uma ausência mais dramática é a de um vilão de respeito –e o histérico e insosso Max Lord, papel de Pedro Pascal, não chega nem perto disso.
Dono da suspeita Cooperativa Ouro Negro, o empresário maníaco busca investidores para seu negócio arruinado quando descobre uma pedra mágica com poder de atender a qualquer desejo.
Depois de um roubo, a pedra vai parar no Instituto Smithsonian, em Washington, para estudo da gemóloga Barbara Minerva, interpretada por Kristen Wiig, uma colega complexada de Diana.
Nem mesmo o comprovado timing cômico de Wiig, mostrado em "Caça-Fantasmas", tem qualquer aproveitamento. Na primeira metade da história, é uma quase coitadinha cafona que ninguém nota, para se transformar em vilã ensandecida na segunda parte.
O elemento catalisador está nos desejos a que a pedra atende, inclusive o de Diana –atenção para spoiler a seguir–, que vê reaparecer o namorado morto no primeiro filme, Steve, papel de Chris Pine, ainda que ocupando o corpo de outro homem. Ela, no entanto, o enxerga como ele sempre foi, o que pode dar alguma confusão inicial.
Steve também parece ter reaparecido para atenuar a solidão e autossuficiência que são as marcas registradas desta heroína inteligente, proativa e quase sempre impecavelmente vestida como uma executiva, com direito a saltos altíssimos, exceto quando está usando seu uniforme típico –figurinos, todos eles, trazendo uma visão um tanto antiquada da figura feminina.
A bem da verdade, há tentativas de atualização da inegável natureza feminista de Diana, particularmente em sua intervenção contra um homem que ataca Barbara em um parque. Mas o roteiro assinado por Jenkins, Geoff Johns e David Callaham tem um excesso de preocupação em não tornar a protagonista agressiva demais.
Quando ela mesma sofre assédios em série numa festa de gala, procura sempre sorrir, escapar ou as duas coisas. A fúria contra agressores fica por conta de Barbara, mas só depois que ela sofre uma radical mudança de personalidade ao ter um desejo atendido.
Para a alegria dos fãs dos quadrinhos, algumas sequências de ação eventualmente empolgam –como a primeira, em que a Mulher-Maravilha detona alguns ladrões e salva uma criança num shopping; numa estrada no Egito, deslizando entre caminhões e um tanque; e nos duelos finais contra os dois vilões, um tanto longos e exagerados.
De olho nas emoções do público, o filme abusa do uso insistente da trilha sonora melosa de Hans Zimmer. Na mesma linha, soa mais convincente o apelo a uma renúncia exigida de Diana em prol do bem mundial do que o repentino apego do vilão, na undécima hora, por seu filho.
Afinal, o longa cai na velha tentativa do cinemão americano de nunca abrir mão de uma lição de moral –que, ao apagar da era Trump, pouca gente pode levar a sério.
Curiosamente, o prólogo, que não tem maior função dentro do enredo e só remete às lembranças infantis de Diana, é mais atraente do que muito do que vem a seguir, por invocar aquele mundo mítico das origens da heroína ao qual, no seu todo, "Mulher-Maravilha 1984" não faz jus.

Direção: Patty Jenkins.
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine e Kristen Wiig.
Origem: EUA, 2020. Em cartaz
Classificação: 12 anos.
Avaliação: Ruim


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