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Cuiabá MT, Domingo, 17 de Janeiro de 2021
ILUSTRADO
Quinta-feira, 14 de Janeiro de 2021, 12h:32

FILME

Nem elenco salva "Unidas pela Esperança", sobre a rotina das mulheres de militares

MARCELLA FRANCO
Folhapress - São Paulo
UNIDAS PELA ESPERANÇA

O longa britânico "Unidas pela Esperança" desvela um ponto de vista interessante, sobre o qual pouco se pensa -como é a rotina das mulheres dos militares que estão na ativa, especialmente quando eles saem de casa em serviço?
Neste caso aqui, em que o núcleo de famílias é lotado numa cidade no interior da Inglaterra, a história se desenrola a partir do momento em que os maridos partem em missão para o Afeganistão. Prontas para seis meses separadas deles, as mulheres se veem, mais uma vez, às voltas com a decisão de como preencher suas agendas.
Organizadas num comitê, elas passeiam por sugestões que elas próprias definem como ocupações tipicamente femininas. Cogitam passar o tempo aprendendo tricô, fazendo cafés da manhã coletivos ou se voltando a trabalhos de caridade na comunidade. Até que surge a ideia de formar um "coral de mulheres" e ver no que vai dar.
A atriz Kristin Scott Thomas, de "O Paciente Inglês" e "Quatro Casamentos e um Funeral", interpreta Kate, que é casada com um coronel.
Desde a primeira cena, ela já surge montada no que parece a princípio pura soberba, mas que, ao longo da trama, se revela um reflexo da perda do filho único, também militar, numa missão recente.
Thomas vive o papel com os pés nas costas. Aliás, o título não traz um roteiro desafiador em nenhum aspecto, e isso inclui seu elenco. Por isso, pode parecer ao espectador mais atento que, em vários momentos, a atriz teria plenas condições de ir além.
O longa é eficaz em mostrar que, junto com a afinação e o ritmo, todas as mulheres ali reunidas lutam para viver a frustração de relações sempre interrompidas com a partida dos maridos e lidar com tudo o que essa ausência pode causar, desde a parte prática do dia a dia até grandes medos.
"Unidas pela Esperança" é um filme de poucas surpresas -talvez uma, apenas. E esse imprevisto se dá justamente para confirmar o principal temor de uma das integrantes do coral, num momento que faz a virada do enredo da comédia para o drama.
Vale dizer, ainda, que é uma ficção baseada na história real dos 75 grupos de coral de mulheres de militares existentes no Reino Unido e em outros países. O primeiro deles iniciou suas atividades em 2010, e é dessa experiência que nasce a base do roteiro do filme.
O longa é semelhante a "Ou Tudo ou Nada", do mesmo diretor, não só na ideia da história que reúne um grupo de pessoas para fazer algo inédito na vida, mas também no tanto que esses indivíduos podem ser absolutamente inadequados para tal função.
E é desse lugar, como mostrou em "Ou Tudo ou Nada", de 1997, que o diretor Peter Cattaneo consegue extrair os melhores momentos de sua produção, apresentando um humor benfeito sobre a inadequação, sobre as quebras de padrão e sobre o quanto o pertencimento é importante.
Além disso, o diretor acerta na trilha quando propõe ao coral cantar as improváveis "Shout", do Tears for Fears, e "Time After Time", de Cindy Lauper. Cattaneo só escorrega na trilha original, didática demais ao indicar qual emoção deve ser experimentada em cada quadro, e na música escolhida para a principal apresentação do grupo.
É certo que há uma justificativa importante para a presença dela. Porém, justamente por ser uma música original, ela não traz o impacto que filmes deste gênero têm a chance de oferecer ao público, com uma catarse que convida todo mundo a levantar da poltrona e cantar junto.

UNIDAS PELA ESPERANÇA
Produção: Reino Unido, 2019
Direção: Peter Cattaneo
Com: Kristin Scott Thomas, Sharon Horgan, Davina Sitaram
Quando: Em cartaz
Classificação: 12 anos
Avaliação: regular


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