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Cuiabá MT, Sábado, 05 de Dezembro de 2020
ILUSTRADO
Quarta-feira, 17 de Junho de 2020, 00h:00

TELEVISÃO

Nomes de peso estão deixando a TV Globo

A maior rede de televisão da América Latina se adapta aos novos tempos

TONY GOES
Da Folhapress - São Paulo
Miguel Falabella

José de Abreu. Miguel Falabella. Vera Fischer. Só na semana passada, ficamos sabendo que essas três estrelas não terão seus contratos renovados com a Globo. Cada uma delas tinha mais de três décadas de vínculo com a emissora.

Os desligamentos de grandes nomes vêm acontecendo desde, pelo menos, 2013, e se acentuaram nos últimos dois anos. A lista de ex-Globo já é longa –Malu Mader, Maitê Proença, Malvino Salvador, Carolina Ferraz, Leandro Hassum, Bianca Bin.

Há também aqueles que escolheram não renovar, como Bruno Gagliasso ou Marco Pigossi, e até o caso singular de Regina Duarte, que saiu para ficar três meses como secretária especial da Cultura.

A cada demissão, as redes sociais entram em polvorosa. "A Globo está quebrada, não tem mais dinheiro", celebram os bolsonaristas. Só que não é bem assim. A propaganda do governo federal nunca teve peso significativo nas receitas da emissora, e os cortes já estavam acontecendo antes de Bolsonaro.

A mudança se deve a inúmeras razões. Para começar, o próprio modelo de contratação ficou obsoleto. No resto do mundo, poucos canais mantêm centenas de atores sob exclusividade. Na maioria desses países, predomina o modelo americano –o elenco é pago pelas produtoras das séries e novelas, empresas independentes das emissoras.

Por isso mesmo é comum termos um ator estrelando uma série num canal aberto e, algum tempo depois, uma outra série num outro canal. Em tempos de streaming, então, não são raros os que aparecem em várias plataformas ao mesmo tempo, como Reese Witherspoon ou Steve Carell.

Aqui no Brasil, a novela se impôs como o principal gênero desde os primórdios da televisão. Isso fez com que as emissoras buscassem reter os atores campeões de audiência, oferecendo a eles altos salários e contratos de longa duração. Dois remanescentes dessa época são Glória Menezes e Tarcísio Meira, que estão na Globo há mais de meio século.

Mas já nos anos 1970 surgiram os contratos por obra certa, voltados principalmente ao elenco coadjuvante. Fulano era chamado para uma novela, passava um ano trabalhando, era dispensado sem dramas e, muitas vezes, chamado novamente algum tempo depois. Centenas de atores famosos jamais tiveram contratos fixos de longa duração.

Ao mesmo tempo, se consolidava na Globo o conceito de ator "estratégico", aquele que tem "a cara" da emissora, que não pode, em hipótese alguma, trabalhar para a concorrência. A emissora prefere pagar para ele ficar em casa. Foi o que aconteceu com Adriana Esteves depois de "Avenida Brasil". Esteves continua sendo vista como "estratégica" pela Globo, assim como alguns outros –Glória Pires, Antonio Fagundes, Grazi Massafera. Só que a lista já foi maior. A tendência é de que poucos contratos sejam renovados.

A queda nas receitas publicitárias é uma das causas, mas não é a única. Também conta a relativa fraqueza da concorrência. Por fim, há o mercado de streaming. Muitos atores que passaram pela Globo têm encontrado bastante trabalho nele. Para usar uma expressão da moda, este é o novo normal, e não há nada de muito grave nele.


1 COMENTÁRIO:







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BRUNO SAVINO  17-06-2020 08:41:16
A crise tambem chegou na 'Venus Platinada'. A Globo esta tomando medidas corretas para enfrentar este tempo deificil. De fato é um desperdício manter um monte de gente recebendo altos salários e não trabalhando. A concorrência da Globo também não tem como manter os altos salários de um Falabela, Vera Fischer e tantos outros

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