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Cuiabá MT, Terça-feira, 20 de Outubro de 2020
ILUSTRADO
Quarta-feira, 09 de Setembro de 2020, 00h:00

CRÔNICA

“Pois é, mãe, nós estamos aqui na sala do Diretor...” A turma do fundão

CLEIR EDSON
Especial para o DIÁRIO

Eu sempre fui da turma do fundão. Sempre! É como se fosse um eterno pertencimento entre mim e aquele lugar lá do fundo, e vice versa. Um permanente namoro desses para toda a vida... Sempre foi assim, acho que desde o Big Bang... sim, já nos primeiros dias de escola, lá no maternal... sei lá, só sei que na primeira aula, lá estava eu – resoluto – determinado a fazer parte daquela panelinha, daquele apaixonante e atraente espaço: a turma do fundão.Eu sempre fui da turma do fundão. Sempre! É como se fosse um eterno pertencimento entre mim e aquele lugar lá do fundo, e vice versa. Um permanente namoro desses para toda a vida... Sempre foi assim, acho que desde o Big Bang... sim, já nos primeiros dias de escola, lá no maternal... sei lá, só sei que na primeira aula, lá estava eu – resoluto – determinado a fazer parte daquela panelinha, daquele apaixonante e atraente espaço: a turma do fundão.
          Parece, para mim, que o restante da sala não existe! Eu só vejo aquele mundo lá! Há uma sensualidade latente no fundo que me atrai, que me puxa para acolá. Um místico e fortíssimo encontro de Yin & Yan ali se faz presente. Como o Eclipse... ou seja, o encontro do Sol com a Lua – aquele que ilumina o dia ensolarado – e esta que enfeita com sua luz as noites enluaradas. Uma perfeita simbiose do Sim com o Não, estes opostos que se atraem como perfeitos... e se afastam diante de qualquer senão pois que imperfeitos são!
          E assim foi até os bancos da Universidade. Primeira aula do ano: lá estava Eu – na carteira última da última fileira! Uma sensual e irresistível atração me carrega, me arrasta, pois ao adentrar a sala... é como se meus pés, imperiosamente me empurrassem naquela direção, independente da minha vontade. Ainda recentemente, quando do último work shop de que participei, na última carteira do fundão estacionei. Acredito que se hoje, for convidado para um curso, uma palestra, uma especialização, enfim qualquer coisa do gênero que seja presencial, não tenham dúvidas, este ato na mais pura impulsão preferencial repetirei: mais uma vez na turma do fundão ficarei! 
                 E essa opção pelo fundão, tinha e tem, é claro, uma forte simbologia para nossos Mestres. Uma conotação bem negativa. Sim, porque – Nós – a turma do fundão éramos, fomos, somos e, quiçá, seremos os eternos “apátridas, os sem-terra da sala de aula, os que conversam durante todas as aulas, os de letra feia ou ilegível, os que colam nas provas, aqueles que nunca fazem “os para casa”, os que encaram o professor e de sua cara riem sem motivo, deixando-o desconfiado e inseguro (se esse mal fizer parte do DNA do mestre); sim, somos os maus alunos que aprontam bagunça o tempo todo – “o horror dos professores”, e que fazem destes a razão do seu riso, que os tiram do sério com tanta arruaça, com tanto improviso...
          Nós somos a turma do futebol, da bolinha de gude, do totó, e por causa disso – do cheirinho de cê-cê, muitas vezes, insuportável –, da sensual bola de meia, do cigarro escondido, das rodinhas contando as mais gostosas piadas de fazer escancarar de tanto rir, do palitinho, da porrinha, a turma de ficar “zoiando de esgueia” pras meninas, reparando seus atributos... a turma que, mesmo sem saber dançar, nos bailes, tira as mocinhas para dançar com elas bem agarradinhas num gostoso forrobodó...
          Em oposição a nós, existe a turma da frente: os certinhos, letra bonita de se ver, caderno impecável, tarefas e para casa sempre em dia, disciplinados... perfumados, bonitinhos, às vezes... ordinários, ou seja, estes – os de lá da frente,  se assentam em harmonia. Enfim não há como não fazer discriminação entre as duas bundas! Opa! Desculpem, quis dizer bandas. O que hoje, face à hipócrita hipocrisia do politicamente correto, é um crime! ( ? )
          E o preço desta escolha de pertencer à turma do fundão? Com certeza é caro e recorrente: tornei-me frequentador assíduo da sala do Diretor... no meu caso específico, do gabinete do Capitão! 
          Pois bem, pacientes leitores, todas essas estudantis reminiscências que faço vêm a propósito de uma conversa no WZ que tive noutro dia com minha amiga de Campo Grande – Jussara Mathos – Coaching com formação PNL, que atua na área de Constelação Sistêmica e Astrologia, lá na cidade Morena, também em Porto Alegre (ela é gaúcha adotada por Campo Grande).
          Um dia antes dessa conversa, assisti à Live que ela fazia, como tenho feito habitualmente desde que ficamos em isolamento; em determinado momento da Live, ela conta que ligou para sua filha – Morgana – para conversarem, e esta ao atender, respondeu a uma pergunta de sua mãe assim:
          - Pois é, mãe, estamos aqui na sala do Diretor!
          Daí Jussara – brilhantemente, como sempre – conduziu sua Live, inspirada também na resposta da filha. 
          Ora, ao ouvir aquela frase, veio-me o toque, o estalo, e como toda a vez em que me surge a magia da inspiração, foi num relâmpago. E aqui estou. Não sem antes pedir, lógico, à Jussara e à sua filha, licença para usar tão inspiradora frase. 
          Sim, Morgana empregou apropriadamente essa Metáfora ao expressar seu sentimento em relação ao que aqui e agora estamos vivendo.
          O engraçado, o irônico, para não dizer trágico, é que não é só “a turma do fundão” que está na sala do Diretor, não. Definitivamente, não! (Perdoe-me, Morgana, você não me parece pertencer a essa turma, estou falando de outra gente, viu).
          Está todo mundo, sem exceção: a do caderninho bonito e a dos que nem caderno tem!
          Sim, leitores amigos. O Universo e a Divindade juntaram todos os seres humanos do Planeta no mesmo espaço, no mesmo tempo, na mesma situação, não importa para onde sopre o vento. Todos, sem exceção. Sim, ficamos e estamos confinados naquela imensa e atemorizadora sala do Diretor para receber umas palmadas, quem sabe, até a contaminação! 
          E isso é amedrontador. E absolutamente instigante. Intrigante. Desafiador, sim, porque ninguém pode levantar bandeira e sair protestando, fazendo mimimi... do tipo deste aqui:
          - Pera aí, eu sou da turma da frente! Sou certinho! Sou o mais honesto dos alunos. Não deveria estar na sala do Diretor. Sempre fiz e entreguei as tarefas em dia. Tenho letra bonita e legível. Sou disciplinado. Não converso em aula. Tiro boas notas. Não minto. Sou bem comportado Não roubo merenda nem nada dos colegas... não uso o dinheiro que meus pais me dão para outras coisas! Fui eleito líder da sala sem restrições. Repito as orações, opa, desculpem, quis dizer – lições, em voz alta. Às aulas nunca faltei. Por que estou aqui? Por quê??? É injusto! Isso é golpe! Tudo isso vão falando, protestando num galope...
          Ah, minhas queridas e meus queridos, desta vez o Diretor não foi seletivo, foi não! Deixou de proteger qualquer um. Nenhum de seus escolhidos teve sorte, desta vez não. Absolutamente não! Ele pegou a turma toda: do fundão, da frente, do centro, da direita, da esquerda, até os que matavam aula, inclusive os que pegavam coisas escondido de seus colegas – não teve perdão! Levou todos para sua Sala! A alguns... muitos, milhares, infelizmente... levou até a morte.
          Esperem aí, faço uma ressalva: acho que deixou uma turminha de fora, sim. Claro, os Bebês! As crianças pequenas também. E sabem por quê? Porque essas são Anjos. São puros. Ingênuos. Essas ainda não frequentaram as salas de aula, seja na frente ou no fundão. Não. Aliás, muitas delas são Seres da Nova Era (Crianças evoluídas) e estão aqui para nos ajudar! Para nos tornar melhores. Para quebrar paradigmas! Por isso NÃO fazem parte desse retiro compulsório a que Ele nos confinou, vieram para nos ensinar a Amar!
          Portanto, penso que não importa a qual turma você pertença, nem adianta reclamar. Mesmo que você tenha feito a lição de casa, ou fingido e mentido que fez...está sujeito, sim – como qualquer um – às mesmas regras do Diretor. Não há exceções, nem a justiça dos homens pode ajudar... 
          Então... qual tem que ser nossa postura na sala do Diretor neste momento? Qual?
Ou como devemos proceder depois que Ele nos liberar e libertar de sua sala? Como?
          Muito simples. Ele nos impôs esse Retiro, certo? Logo, temos que ser humildes e sábios o bastante para perceber que se trata de um acontecimento muito Maior do que parece, isto é, há algo além que o Universo e a Divindade querem nos mostrar; existe, sim, uma lição do Amor de Deus permeando esse vírus que trouxe a pandemia. Com certeza, há, senão por que motivo Ele nos manteria tanto tempo por lá??? 

 

 

*CLEIR EDSON Um Prosador e Poeta Aprendiz

 

Gratidão à Jussara e à sua filha que me inspiraram à criação deste Artigo. Gratidão a este Diário de Cuiabá. Gratidão ao Universo e à Divindade por este dom. 
Em meu apê, às 15:25 horas do dia 3 de setembro – do ano da Graça de Nosso Senhor – 2020 – Em São João Del Rei – Minas Gerais – Brasil Verde e Amarelo Sempre!

 

Nota de rodapé:
Fui Mestre / Professor por 55 anos e, como aluno, sempre pertenci à turma do fundão. Introjetei, então, em meu dia a dia de professor, um olhar generoso e de profunda com + paixão pelos meus alunos que ali – naquele sacro lugar – estacionavam em minhas aulas. Sim, pois eu sempre me Re + conhecia neles...
Por essa razão, dedico esta Crônica a todos os meus eternos alunos e, especialmente, a todos aqueles da TURMA DO FUNDÃO que me deixaram marcas indeléveis no coração.


3 COMENTÁRIOS:







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Cleir Edson Pereira de Deus   09-09-2020 10:57:10
Telma querida, realmente, está na essência do meu ser. Sou professor! Gratidão pelas carinhosas palavras, Meu Bem! Você sempre me incentiva e me faz prosseguir. Beijos

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Cleir Edson Pereira de Deus   09-09-2020 07:26:57
Gratidão, Telma querida! Realmente, está no DNA, faz parte do meu Ser gente. Suas palavras me enriquecem. Gratidão.

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Telma Cheida Mello  09-09-2020 06:45:02
Quem nasceu professor, sempre será professor! Em você, Meu Bem, faz parte do seu DNA! Brilhante analogia :sala de aula, turma do fundão e sala do Deus Diretor , Confinamento a que ELE nos submeteu. A todos, quase sem distinção! Com certeza dessa SALA sairemos melhores, mais humanos, mais Gente de Verdade! Parabéns, Meu cronista favorito! Foi brilhante, como sempre!!!!❤️❤️❤️❤️

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