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Tenso do começo ao fim, "A Vastidão da Noite" é uma joia do cinema independente

TETÉ RIBEIRO
Da Folhapress - São Paulo
A Vastidão da Noite

No momento em que o medo coletivo é de um vírus, que obriga as pessoas a ficarem trancadas em suas casas, um ótimo filme surge para relembrar outra época de pânico em sociedade, nos Estados Unidos dos anos 1950, em que um ataque soviético parecia uma questão de quando e não de se. Na cultura, embalada pelo início da corrida espacial, esse medo foi traduzido para o perigo da invasão de alienígenas.

"A Vastidão da Noite" homenageia aquela época, a ficção científica e seus programas clássicos de TV. Faz pelo gênero o que "A Bruxa de Blair" fez antes pelo terror, renovando o estilo. Assim como aquele, foi rodado com baixo orçamento e equipe desconhecida. Só que tendo diálogos ou monólogos como fios condutores.

Três são antológicos. Um entre o apresentador de rádio de uma cidadezinha no Novo México e uma curiosa estudante. A conversa inicial dos dois, os protagonistas, lembra a abertura de "O Jogador", de 1992, pela profusão de acontecimentos narrados de uma só vez, além da rapidez e da qualidade da conversa. Outro diálogo fundamental é o de um veterano de guerra que conta sua história ao radialista ao vivo. E o terceiro é um monólogo arrepiante de uma personagem mais velha sobre uma criança.

O longa começa botando o espectador imediatamente no clima retrô - uma tomada de uma TV dos anos 1950, que se abre e vira o filme. Estamos em Cayuga, e quase toda a população está assistindo a um jogo. Parece que só Everett e Fay estão pensando em outra coisa. Eis que então coisas estranhas começam a ocorrer.

É esperta a decisão de botar a história nos anos 1950, antes que os ovnis invadissem a cultura pop. A grande sacada é acompanhar Everett e Fay perceberem o que se passa. E não, não são os comunistas. Vale dizer que o que faz o filme funcionar não é o seu clímax –bom e assustador, talvez um pouco modesto por limitações de orçamento–, mas a dinâmica entre os protagonistas.

Everett e Fay começam a história como dois jovens que se acham mais espertos que as outras pessoas. No meio do filme, estão unidos e tentando desvendar um quebra-cabeça. Nas cenas finais, são as únicas pessoas que sabem o que está acontecendo.

"A Vastidão da Noite" não é uma história de amor, os protagonistas não se apaixonam, mas se percebem em uma nova era de conspiração, segredos e paranoia. É uma trama tensa do começo ao fim, uma joia do cinema independente.

 

Crítica

A Vastidão da Noite

Avaliação: muito bom

EUA, 2019. Direção: Andrew Patterson. Com: Jake Horowitz e Sierra McCormick. 12 anos. Disponível na Amazon Prime Video

 


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