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Quinta-feira, 25 de Julho de 2019, 01h:00

TELEVISÃO

Uma novela que vale a pena ver de novo

‘Por Amor’ faz sucesso 22 anos depois com história atemporal

KARINA MATIAS
Da Folhapress – São Paulo

O que uma mãe é capaz de fazer por um filho? Helena (Regina Duarte), a mocinha de "Por Amor", novela da Globo de 1997, abre mão da própria felicidade para ver a filha, Eduarda (Gabriela Duarte), realizada. A forma como a trama de Manoel Carlos consegue mostrar o amor materno e os seus dilemas é, segundo especialistas em TV, um dos segredos para que a história continue prendendo a atenção do público mesmo 22 anos depois de ter ido ao ar pela primeira vez.

Em sua quarta reprise -a segunda no Vale a Pena Ver de Novo da Globo (as outras duas foram no canal Viva)-, "Por Amor" tem média de 17 pontos de audiência na Grande São Paulo (cada ponto equivale a 73.015 domicílios). É o melhor resultado das últimas dez novelas reprisadas na faixa -empata com "O Rei do Gado", reapresentada em 2015. Em todo o Brasil, até o início de junho, a novela tinha média de 16 pontos no Kantar Ibope (cada ponto equivale a 254.892 domicílios).

"É uma narrativa atemporal", avalia Claudino Mayer, doutor em ciências da comunicação pela USP (Universidade de São Paulo).

Para o crítico de TV Nilson Xavier, outro fator que explica o sucesso da trama é que ela mostra personagens humanos, que tocam na emoção das pessoas. "Por isso, sempre que passar, a gente vai assistir. São dramas humanos, com os quais o telespectador se identifica."

Xavier salienta que a novela é muito bem feita e produzida, além de ter um ótimo elenco. "Ela tem uma qualidade de texto que as novelas atuais não têm. As produções de hoje apresentam histórias e narrativas fracas, que subestimam a inteligência do público", compara.

Outra característica de Manoel Carlos destacada pelos especialistas e por atores como Fábio Assunção, que faz o mocinho Marcelo, é a capacidade de desenvolver o enredo mostrando os personagens em situações do dia a dia. "É o drama intercalado com o humor e ilustrando o nosso cotidiano", diz Assunção.

Isso, segundo Mayer, aproxima o telespectador da trama. Como exemplo, ele cita a história de Orestes (Paulo José), o pai de Eduarda e de Sandrinha (Cecília Dassi), que é alcoólatra. "É como se ele fosse um amigo ou parente próximo. O alcoolismo é um problema comum na realidade brasileira, e a maneira como ele [Manoel Carlos] descreve isso nos aproxima da história."

Segundo o site Memória Globo, o autor contou que o personagem Orestes nasceu de uma conversa com um amigo, em que eles concluíram que toda família tem um alcoólatra, um ex-alcoólatra ou um alcoólatra em potencial. Ele também disse que, de fato, se baseou em pessoas e dramas comuns para escrever os enredos de "Por Amor".

Para Carolina Dieckmann, que faz a modelo Catarina, a novela prende o público pelas boas histórias. "Acho o enredo da troca dos bebês genial. Sempre que posso, vejo a reprise, porque é uma trama envolvente."

Na novela também não faltam elementos clássicos da teledramaturgia, como um casal muito apaixonado, caso de Milena (Carolina Ferraz) e Nando (Du Moscovis).

VILÃ SINCERA

A vilã Branca é outro ponto alto de "Por Amor". Interpretada por Susana Vieira, ela é do tipo que o público ama odiar. Para a atriz, apesar de todas as maldades, a personagem era muito divertida, o que explica parte do seu sucesso. "Acho que o segredo do carisma da Branca é o senso de humor. Não fica pesada a vilania. As pessoas pegaram as falas da Branca e trouxeram para situações que vivemos no dia a dia. Então, no lugar do ódio, as pessoas passaram a amar a Branca", diz.

Muitas das frases da megera viraram brincadeira na internet, como a que ela fala: "Mesmo uma mulher burra vale por dois homens. Porque o sexto sentido da gente é exclusivo, e sem ele nada se faz nesse mundo." "Branca fala o que todo mundo gostaria de falar e não tem coragem."

CORTES - Várias cenas mais fortes de "Por Amor" foram cortadas em sua reexibição nas tardes da Globo, o que tem gerado reclamações dos telespectadores nas redes sociais.

No início de junho, por exemplo, Branca (Susana Vieira) e Milena (Carolina Ferraz), que são mãe e filha na trama, têm uma briga feia, e a megera dá um tapa na cara da filha. Na cena original, Branca dá cinco bofetadas em Milena, o que não foi exibido desta vez.

Para justificar os cortes, o departamento de comunicação da Globo informou que todos os conteúdos da emissora, quando produzidos originalmente para outros horários, "podem passar por ajustes e adequações ao serem reexibidos". "Sempre com o cuidado de não comprometer a essência da obra e das tramas abordadas", diz a emissora em nota.

Na semana passada, o Ministério da Justiça reclassificou a novela: de livre, passou a não recomendada para menores de 12 anos. A justificativa apresentada pelo órgão é que a novela apresenta cenas com "drogas lícitas, conteúdo sexual e violência". Com a determinação, a Globo precisa exibir a nova classificação em todos os capítulos.

 


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