Diario de Cuiabá

Terça-feira, 05 de Janeiro de 2016, 20h:24

Agentes cobram mais racionalização

A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), entidade que representa os agentes da corporação, afirmou ontem, por meio de nota divulgada pela assessoria da entidade, que o corte de R$ 133 milhões no orçamento da Polícia Federal para o ano de 2016 pode ser administrado internamente com medidas de gestão, como “racionalização de gastos” e "eliminação da burocracia". O comunicado diverge da nota divulgada na semana passada pela Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), que acusou o governo federal de estar promovendo o "desmonte" da corporação com o corte orçamentário. O corte no orçamento da PF ocorreu em dezembro, quando o Congresso Nacional aprovou o Orçamento da União para 2016. “Para o presidente da federação Luís Antônio Boudens, não é necessária a autonomia financeira e orçamentária da Polícia Federal para manter a efetividade das operações, mas sim a racionalização de gastos e a eliminação da enorme burocracia”, ressaltou a Fenapef no comunicado divulgado à imprensa. Na carta enviada na última semana ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, 28 delegados federais associados à ADPF afirmaram que os cortes no orçamento da Polícia Federal irão gerar a diminuição de investigações e “grave e nítido” desmonte da corporação. O Ministério da Justiça classificou de "injusta e absurda" a carta da ADPF. Em comunicado divulgado na quarta-feira passada, a pasta afirmou que, ao contrário das alegações da entidade dos delegados, "dados demonstram que, nos últimos anos, ocorreu o fortalecimento da Polícia Federal", com aumento do orçamento total da instituição em mais de 43% desde 2003. Nesta segunda-feira, o Ministério da Justiça informou que negocia com o Ministério do Planejamento a liberação de créditos suplementares para repor o corte de R$ 133 milhões no orçamento da Polícia Federal em 2016. Na nota divulgada ontem, a Fenapef usa como exemplo de mau uso do dinheiro da Polícia Federal a compra, em 2012, de um Veículo Aéreo Não Tripulado (Vant) por R$ 24,6 milhões. A entidade alega que o equipamento tem sido “subutilizado e não justifica o alto investimento”. A federação alega ainda ter informações que comprovam “milhões gastos todo ano com diária e remoções cruzadas, despesa que eles afirmam que tem grande impacto no custeio da instituição. Além disso, a entidade reclama de defasagem nos salários da categoria. “A Fenapef foi a primeira instituição a denunciar o sucateamento da Polícia Federal, que começou não com o corte de orçamento, mas sim nos salários da categoria.” Segundo o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, os agentes da categoria recebem metade do salário pago a outros cargos que recebiam a mesma remuneração. “Uma clara demonstração de desvalorização dos cargos que efetivamente atuam nas investigações da Polícia Federal. [...] Esse exemplo demonstra a “falta de gestores capacitados dentro da PF”, diz trecho do comunicado da Fenapef.

Fonte: Diario de Cuiabá

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