Diario de Cuiabá

Segunda-feira, 21 de Janeiro de 2019, 17h:23

Vidas que deram um filme

Novas cinebiografias nacionais têm lançamentos este ano, mas o que um filmedo gênero precisa para agradar ao público?

A recente passagem pela televisão de minisséries sobre a cantora Elis Regina e o boxeador Éder Jofre ressaltou uma vertente temática que o cinema brasileiro de ficção tem explorado com regularidade. Reempacotados e esticados como minisséries, Elis e 10 Segundos para Vencer colocaram no mesmo espaço nobre da Globo foram exibidas em sequência dois longas com desempenhos distintos nas bilheterias. A estrela dos palcos levou aos cinemas 570 mil espectadores em 2016. O astro dos ringues, menos de um décimo disso em 2018: 51,5 mil ingressos. O campo de atuação do biografado, sua dimensão como ídolo e os apelos emotivo e geracional são alguns dos elementos da complexa fórmula que busca dar liga a um projeto cinebiográfico, combinados com o tamanho do lançamento no circuito e o investimento em marketing, entre outras variáveis. Encarando esse cenário imponderável, chegarão aos cinemas do país em 2019 pelo menos oito cinebiografias já com datas de lançamento asseguradas (veja no quadro). Em cena, de cantores como Erasmo Carlos, Wilson Simonal e Gal Costa aos apresentadores de TV Hebe Camargo e Silvio Santos, passando pelo político e guerrilheiro Carlos Marighella e os empresários Eike Batista e, outra vez, Edir Macedo. Também é nacional uma biografia prevista do francês Allan Kardec, o propagador da doutrina espírita, que tem no Brasil seu maior número de adeptos. Diante de um grande fracasso em 2018, Chacrinha: Velho Guerreiro - só 36 mil pessoas mostraram interesse na vida do figuraça que foi um dos maiores nomes do entretenimento brasileiro - cabe o olhar de quem é do ramo. “Nada nessa lista garante sucesso. Não tem nenhum 2 Filhos de Francisco, aquele filme biográfico baseado na trajetória emocionante de um ídolo popular”, afirma Paulo Sérgio Almeida, diretor do Filme B, portal especializado no mercado cinematográfico, referindo-se ao grande sucesso de 2005 sobre a dupla sertaneja Zezé Di Camargo e Luciano (5,3 milhões de ingressos vendidos). Segundo Almeida, cinebiografia tem público no Brasil, mas não é qualquer uma que consegue chegar, por exemplo, aos 3 milhões de espectadores de Cazuza - O Tempo Não Para, de 2004. “Basicamente, uma cinebiografia precisa ter o chamado "ponto de venda", além da personalidade que retrata. Esse personagem tem de ser interessante e o assunto ser de interesse geral, que é o que faz a pessoa sair de casa”, disse. Presença de diretor/ator famoso e matriz em livro de sucesso podem ter peso no conjunto, destaca Almeida. E filmes ambientados em épocas distantes sofrem mais na busca pela empatia do público. O diretor do Filme B ressalta os filmes que miram nichos específicos, casos de Kardec - que busca retomar os bons números de obras espíritas como Nosso Lar (2010) - e Nada a Perder 2, continuação da saga de Edir Macedo, líder da Igreja Universal. O primeiro filme sobre o bispo somou em 2018 mais de 11 milhões de espectadores e cravou um contestado marco de produção mais vista do cinema brasileiro em todos tempos, mesmo com a suspeita de número inflados pela distribuição com entradas gratuitas que não passaram pelas catracas das salas. Se tiver potencial para depois chegar com destaque à TV, melhor. “Esse processo (transformar filmes em minisséries) é uma tendência. 10 Segundos Para Vencer alcançou uma audiência fantástica”, diz Almeida.

Fonte: Diario de Cuiabá

Visite o website: diariodecuiaba.com.br