Diario de Cuiabá

Quarta-feira, 08 de Abril de 2020, 05h:51

Relatório do MS diz que Brasil não tem laboratórios, médicos e equipamentos para combater Covid-19

"Os leitos de UTI e de internação não estão devidamente estruturados e nem em número suficiente para a fase mais aguda da epidemia", diz o boletim

Um relatório elaborado pela equipe técnica do Ministério da Saúde aponta que o Brasil não tem médicos, laboratórios e equipamentos em número suficiente para o combate ao novo coronavírus. O boletim foi publicado no fim da noite de ontem no site do Ministério da Saúde.

"Há carência de profissionais de saúde capacitados para manejo de equipamentos de ventilação mecânica, fisioterapia respiratória e cuidados avançados de enfermagem direcionados para o manejo clínico de pacientes graves de COVID-19 e profissionais treinados na atenção primária para o manejo clínico de casos leves de Síndrome Gripal", diz um trecho do boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde e que compila dados até a sexta-feira.

Em outro trecho, o documento faz uma avaliação negativa sobre a estrutura física do país no combate à doença.

"Os leitos de UTI e de internação não estão devidamente estruturados e nem em número suficiente para a fase mais aguda da epidemia", diz o boletim.

O Ministério aponta ainda que o Distrito Federal e os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Amazonas e Ceará são os que inspiram mais cuidado atualmente. O ministério teme que, nesses locais, a epidemia esteja em transição para uma fase conhecida como "aceleração descontrolada".

O ministério divide as fases da epidemia em quatro: epidemia localizada, aceleração descontrolada, desaceleração e controle. Esses cinco estados são os que apresentam o maior número de casos confirmados por grupo de 100 mil habitantes.

O documento diz ainda que a capacidade laboratorial do governo é insuficiente para atender à demanda projetada pelo ministério para o que considera que será a fase mais crítica da epidemia.

Para dar conta dessa fase, a rede nacional de laboratórios, composta por 27 laboratórios centrais nos estados e no Distrito Federal precisaria ampliar sua capacidade diária de processar exames que é de 6,7 mil por dia para algo em torno de 50 mil por dia, um aumento de 646%.

Contrariando as declarações do presidente Jair Bolsonaro, que é contra a manutenção de medidas de distanciamento e isolamento social, o boletim reforça que tais medidas precisam ser mantidas para evitar um aumento avanço maior da Covid-19 no Brasil.

"O Ministério da Saúde do Brasil avalia o risco nacional como muito alto. Deste modo, as Unidades da Federação que implementaram medidas de distanciamento social ampliado devem manter essas medidas até que o suprimento de equipamentos (leitos, EPI, respiradores e testes laboratoriais) e equipes de saúde (médicos, enfermeiros, demais profissionais de saúde e outros) estejam disponíveis em quantitativo suficiente", diz outro trecho do boletim.

 


Fonte: Diario de Cuiabá

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