Diario de Cuiabá

Sábado, 01 de Agosto de 2020, 08h:25

Incêndio já se aproxima da Transpantaneira e de pontes de madeira

Fogo chega a Poconé, nas proximidades da estrada-parque que corta o bioma na divisa com Mato Grosso do Sul

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

Há dez dias, o fogo consome a vegetação do Pantanal de Mato Grosso, na região de Poconé (100 km ao Sul de Cuiabá).

O incêndio se encontra na região Sul do município, nas proximidades da Transpantaneira, estrada-parque que corta o bioma ligando Poconé ao Distrito de Porto Jofre, já na divisa com Mato Grosso do Sul.

Desde o início deste ano, o Pantanal vem sendo atingido por uma forte estiagem e registra o nível mais baixo de água dos últimos 30 anos.

Até sexta-feira (31), a estimativa era de que o incêndio florestal  já tinha destruído mais de 40 mil hectares, o que corresponde acerca de 56 mil campos de futebol.

As chamas começaram no dia 21 de julho e atingiram duas áreas maiores, sendo uma no Parque Estadual Encontro das Águas.

O outro do lado Leste da Transpantaneira, por volta do km 80, nas proximidades da Fazenda São José.

Por lá, o ritmo de combate ao fogo segue intenso. No local, o Corpo de Bombeiros Militar permanece com suas atividades para debelar o incêndio.

Para isso, utiliza de combate direto, confecção de aceiros e sobrevoos de reconhecimento.

O trabalho é feito por cinco equipes de combate formadas por 18 militares, que contam com suporte de uma aeronave do tipo “AirTractor”, um quadriciclo e quatro caminhonetes, além do helicóptero do Ciopaer.

Segundo o CBM, a operação de combate recebeu o reforço ainda de três máquinas do tipo pá carregadeira para construção de linhas de defesa.

Oss maquinários serão empregados para fortalecer a estratégia de contenção ao incêndio, aumentado a capacidade operacional das equipes de resposta que trabalham 24 horas por dia no combate ao fogo no Pantanal mato-grossense.

Há informação ainda de que moradores locais também tentam impedir o avanço das chamas, evitando maiores danos à fauna e flora e que atinjam as pontes de madeira ao longo da Transpantaneira, que conta com cerca de 140 quilômetros de extensão.

Desde o início deste ano, o Pantanal vem sendo atingido por uma forte estiagem.

De janeiro a maio, o volume de chuvas ficou 50% abaixo do normal. Presente em locais isolados e sem chuva suficiente para encher as áreas alagadiças, o bioma ficou mais suscetível aos incêndios.

"O fogo no Pantanal para 2020 necessita de mais cuidado do que nos anos anteriores, pois o alagamento natural que se dá na planície pantaneira está com níveis mais baixos dos últimos 30 anos”, diz Júlia Boock, analista de conservação do WWF-Brasil, por meio da assessoria de imprensa.

Para piorar, o fenômeno climático La Niña, previsto ainda para este ano, tende a reduzir ainda mais as chuvas na região. Isso poderá resultar na maior seca dos últimos 30 anos no bioma, segundo especialistas, e isso em plena temporada de intensificação das queimadas.

Um dos principais fatores para o aumento das queimadas no bioma está no fato de que o Rio Paraguai, que cruza a região pantaneira, não encheu esse ano.

Com isso, boa parte das planícies alagáveis do Pantanal não alagaram e ficaram secas, em condições propícias ao alastramento do fogo.

Já de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) desde janeiro deste ano até ontem pela manhã, Mato Grosso contabilizava um total de 9.138 focos de calor, o que corresponde a um aumento de 5% ao mesmo período de 2019 (8.681).

No país, são 39.317 focos. Somente na região do Pantanal, incluindo a porção sul mato-grossense, já são 4.203 registros de queimada, o representa um acréscimo de 201% em relação ao ano passado.

Já Poconé é o município mato-grossense com maior número de registros com 797 focos de calor.

Leia mais sobre o assunto:

Instituto aponta aumento de 530% em queimadas no Pantanal


Fonte: Diario de Cuiabá

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