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Cuiabá MT, Sexta-feira, 18 de Setembro de 2020
POLÍCIA
Sexta-feira, 14 de Agosto de 2020, 10h:30

AGOSTO LILÁS

Mulher tenta fugir de marido violento e morre com tiro no coração

Homem estoura cadeado do portão, invade casa, explode à bala porta de quarto e a mata com tiro de espingarda

ALECY ALVES
Da Reportagem
Reprodução
Carla Monteiro (destaque) foi morta pelo marido com um tiro de espingarda; Polícia Civil investiga e caça o assassino

Mala sobre a cama, ao lado de outras bolsas de mão, no corpo vestes e calçados de passeio, diferentes das peças com as quais costumava ser vista no ambiente doméstico, e o celular na cintura, entre o corpo e o cós da calça.

Carla Andreia Monteiro, 46 anos, estava pronta e parecia decidida a fugir, supostamente viajar de volta para seu Estado, Minas Gerais, deixando para trás a relação conflituosa que viveu com Uilson Morete Rodrigues, 46 anos. Mas, infelizmente, ela não teve tempo.

Uilson estourou o cadeado do portão, invadiu a casa, explodiu à bala a porta do quarto onde a mulher buscava refúgio e a matou com um tiro de espingarda no peito, sobre o coração.

Enquanto atirava, ele repetia em voz alta: "É, Carla, eu te amei".

Ela foi encontrada caída sobre a cama, com as pernas para fora do móvel e as mãos sujas de sangue, como se tivesse tentando se proteger do tiro ou pressionar o local do ferimento.

Esse crime cruel aconteceu na noite de quarta-feira(12), por volta das 21h, no quarto de uma residência da Rua Natal, bairro Jardim Vitória, na cidade de Guarantã do Norte (a 715 km de Cuiabá).

Vizinhos do casal pouco sabem sobre a relação dos dois, a não ser que brigavam, discutiram com frequência.

Dias atrás, conforme relato do marido a um vizinho, Carla teria tentado se matar. Usando uma lâmina, ela teria provocado cortes nos próprios pulsos.

Arrolado como testemunha pela delegacia local, o vizinho, que prefere não revelar o nome, declarou ao DIÁRIO que Uilson e Carla moravam na cidade há menos de dois meses.

Carla teria vindo de Minas Gerais para ficar com Uilson, que também é mineiro e estava há pouco tempo em Guarantã do Norte, trabalhando em uma empresa de recapear de pneus.

O vizinho contou ainda que, certa vez, Uilson, para justificar os gritos e xingamentos que ecoavam nas casas próximas, tentou justificar as brigas denegrindo a imagem da mulher.

"Peguei ela na rua; não presta", teria dito o assassino. "Foi uma das poucas vezes em que falei com ele", observou o morador.

Responsável pela investigação do crime, o delegado Wanner dos Santos Neves disse que, por enquanto, há poucas informações sobre o crime e a relação do casal.

De acordo com ele, nessas primeiras horas pós-assassinato, a preocupação principal são as buscas ao assassino.

Wanner acrescentou que os policiais estão empenhados em diligências, na tentativa de prender Uilson Morete Rodrigues.

Entre as próximas providencias que o delegado pretende adotar, segundo ele, estão pedir a quebra do sigilo telefônico do celular encontrado com a vítima e tomar depoimentos de conhecidos que moram na cidade.

AGOSTO LILÁS - O crime aconteceu em plena campanha de prevenção à violência doméstica e contra a familiar, a 'Agosto Lilás'.

Desde os primeiros dias do mês as policiais, conselhos de direitos e outras instituições estão mobilizadas em palestras, especialmente lives por causa das limitações impostas aos eventos presenciais, em função da pandemia do coronavírus(Covid 19).

Mas, de acordo com dados da Segurança Pública, em Mato Grosso, o número de feminicídios aumentou 68% nos seis primeiros meses de 2020 em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre janeiro e junho deste ano, 32 mulheres foram assassinadas por homens com os tinham vínculo afetivo(era casada, namorada, companheiro ou de quem havia se separado), enquanto que em 2019 houve 19 vítimas.

Os dados são da Superintendência do Observatório de Violência da Sesp-MT.

A Sesp observa que esses dados são preliminares e podem mudar na autoria e motivação, podendo ser classificados como homicídios dolosos.

Inclusive, informa, o número de homicídios dolosos contra mulheres entre 18 e 59 anos apresentou redução significativa neste ano, de 46%.


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