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POLÍCIA
Quinta-feira, 22 de Fevereiro de 2001, 21h:56

LUTO

Padre de Jauru não resiste e morre

Nazareno Lanciotti havia sido baleado no noite do dia 11 de fevereiro, quando jantava na casa paroquial

CLARICE NAVARRO DIÓRIO
Da Sucursal de Cáceres
O padre Nazareno Lanciotti, de 61 anos, da Paróquia Nossa Senhora do Pilar, de Jauru (a 350 quilômetros da capital), morreu às 7 horas da manhã de ontem no hospital Sírio Libanês, em São Paulo, onde se encontrava internado há dez dias. O religioso sofreu uma tentativa de assalto na noite do dia 11, quando jantava acompanhado por várias pessoas na casa paroquial. Eram 2l horas quando entraram dois homens armados e encapuzados, querendo saber a localização do cofre e pedindo dinheiro. As pessoas presentes chegaram a juntar todo o dinheiro que tinham mas os assaltantes queriam mais. Chegaram a praticar roleta russa com as vítimas e, na saída, dispararam contra o padre. O tiro atingiu a nuca do religioso e o projétil se alojou na coluna cervical. A população de Jauru foi alertada sobre o fato com o badalar dos sinos da igreja. Um fazendeiro emprestou sua aeronave e o padre foi levado para Cuiabá e a seguir para a capital paulista. No dia seguinte, a população saiu às ruas protestando contra a violência. Nazareno Lanciotti era o único padre em Jauru, onde chegou há 39 anos oriundo de Roma, Itália. Era sócio fundador do Hospital Nossa Senhora do Pilar. Ontem, o clima na cidade era de consternação. Vários comerciantes baixaram as portas em homenagem ao padre. Para hoje, a expectativa é de mobilização e protestos durante o velório e sepultamento. O corpo do religioso chegaria ontem a Cuiabá. Seguiria então para Cáceres, para ser velado até as 8 horas na Catedral de São Luiz, de onde segue para Jauru para as últimas homenagens e sepultamento. Várias hipóteses chegaram a ser levantadas sobre o ato de violência contra o padre, como a de que a tentativa de assalto, na verdade, seria um atentado contra a vida do religioso, que teria emitido algumas opiniões nas últimas eleições municipais que teriam desagradado alguns políticos locais. A possibilidade foi refutada por funcionários do hospital e da casa paroquial. Um assessor, chamado Juliano, garantiu que o padre nunca teve o hábito de expor suas opiniões, nem no escritório da paróquia e muito menos durante as missas. Uma equipe da Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil permaneceu por mais de uma semana em Jauru, tentando elucidar o crime, mas nada de novo foi divulgado. Ontem, uma nova versão circulou em Cáceres: a de que o padre Nazareno estaria criticando a abertura de bordéis na área periférica de Jauru, que surgiram devido à construção de uma hidrelétrica na cidade e teria pago com a vida a postura assumida. Religiosos de Cáceres e de toda a região seguiriam na manhã de hoje para Jauru para acompanhar o sepultamento. O prefeito da cidade, Divino Marciano (PMDB), lamentou o ocorrido e afirmou que a cidade está de luto oficial por dois dias. Na oportunidade, o prefeito voltou a cobrar mais segurança para a região. Segundo ele, de seis meses para cá, o índice de violência na cidade cresceu de forma assustadora e os assaltos são praticados até durante o dia.

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