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Cuiabá MT, Quarta-feira, 27 de Janeiro de 2021
POLÍTICA
Domingo, 29 de Novembro de 2020, 00h:10

NA HORA DO VOTO

Grandes demandas desafiam próximo prefeito da Capital de MT

Será preciso organização, competência, disposição, transparência e habilidade para afastar a capital do abismo

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Sicom/Prefeitura
Não se pode esperar que o prefeito eleito ou reeleito no segundo turno tenha varinha mágica

Passivo administrativo que salta aos olhos.

Com orçamento de R$ 3,2 bilhões para 2021 ao fio da navalha. Carente de saneamento, pavimentação, regularização fundiária e sem capacidade de gerar empregos industriais.

Cuiabá aos 301 anos e com 618 mil habitantes vai além desses problemas: a dívida pública municipal e as obras inacabadas dos governos federal e estadual.

Não se pode esperar que o prefeito eleito ou reeleito no segundo turno tenha varinha mágica.

Não será fácil zerar os gargalos ou minimizá-los a índices ditos suportáveis. Ainda que vencedor e vencido se unam por um novo conceito administrativo, as esperanças são mínimas sobre o amanhã nos próximos quatro anos.

Não há claridade da luz do novo.

Em algum lugar do passado os grupos liderados por Emanuel Pinheiro (MDB), que tenta a reeleição, e o vereador Abílio Júnior (Podemos) estiveram juntos, ‘tocando a prefeitura’, como se diz no jargão político.

Será preciso organização, competência, disposição, transparência e habilidade para afastar a capital da beira do abismo para o qual é empurrada há décadas.

A população quer resultados reais, que em muitos casos para serem alcançados exige que se vá além do limite da gestão municipal agindo na condição de líder capaz de motivar empresários a investirem aqui com plantas industriais e a pressionar o governador Mauro Mendes e o presidente Jair Bolsonaro em defesa do município.

Chega de viúvas de maridos vivos. Essa viuvez está estampada na periferia, em barracos, onde a mãe cuida da filharada enquanto o pai trabalha em lavouras no Nortão ou na construção de pequenas centrais hidrelétricas no Chapadão do Parecis.

Essa viuvez social abre perigosas portas para meninos serem arrastados ao tráfico formiguinha e meninas na puberdade entrarem na prostituição.

Basta de insegurança jurídica por parte de quem não recebeu a escritura registrada de seu teto. Isso acontece inclusive em antigos conjuntos habitacionais cujos contratos de financiamento foram quitados, mas o lote onde a casa foi construída não é escriturada. Prefeitura e governo têm que agir solidários nesse quesito.

O relatório anual da Associação Brasileira de Engenharia Ambiental ABES), de 2019 – o último – revela que Cuiabá é a 23ª capital em tratamento de esgoto. Trata apenas 53,52% nas unidades residenciais, industriais, comerciais e públicas.

No absoluto esse percentual pode ser maior, pois cada imóvel produz esgoto em níveis diferentes.

O mesmo documento cita que a água não é universalizada e que atende 98,12% dos consumidores. Água e esgoto foram terceirizados.

Na frieza dos números a prefeitura cumpre a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) na esfera dos servidores.

O município fechou 2019 com a folha salarial respondendo por 50,10% das receitas correntes líquidas, quando o limite prudencial estipulado pela LRF para esse gasto é de 51,30%.

Acontece, que há serviços terceirizados, o que mascara a realidade sobre despesas com pessoal.

Em 2019 a prefeitura destinou 22,55% das suas receitas para a Saúde, sendo que a determinação para tanto é menor: 15%.

Nesse quesito os percentuais não se revestem de clareza, pois o município tem a chamada gestão plena em Saúde e recebe da Secretaria de Estado de Saúde pelo atendimento a pacientes de outros municípios regulados para Cuiabá.

Informações sobre o endividamento e o comprometimento com as amortizações não chegam com clareza ao cidadão. A prefeitura informa uma coisa e a oposição insinua outra.

Clareza e acompanhamento popular ainda não fazem parte da conduta no trato das finanças públicas, inclusive sobre dívidas oriundas de administrações anteriores.

A inacabada obra do veículo leve sobre trilhos (VLT) paralisada desde meados de 2014 rasga ao meio as avenidas Tenente-Coronel Duarte e Historiador Rubens de Mendonça, sem que o governo estadual, responsável por ela, solucione esse impasse.

Obras da mobilidade urbana para a Copa de 2014 também não foram concluídas.

Ao lado da Rodovia Palmiro Paes de Barros, que liga a capital a Santo Antônio de Leverger, o novo Hospital Universitário Júlio Müller da UFMT está paralisado, sem sinal de solução. O Rodoanel Norte é um elefante branco.

Escolas municipais são verdadeiros ‘fritódromos’ no clima quente cuiabano.

A maioria das unidades funciona em antigas construções insalubres.

Postos de saúde da família também não oferecem condições aos atendidos e funcionários. Tomem por exemplo o posto do bairro Despraiado.

Cuiabá e Várzea Grande unidas pelo rio que empresta o nome a capital formando uma conturbação, sempre estiveram de costas uma para outra.

Ainda não conseguiram compartilhar coleta de lixo, tratamento de resíduos sólidos, a unificarem calendários e as alíquotas dos tributos municipais.

Teimam em ser dois mundos em um só, o que é ruim para quem vive de ambos os lados das pontes entre elas.

No começo da década de 1970 Cuiabá ganhou o título de Portal da Amazônia.

Agora é a Capital do Agronegócio.

Longe da pompa desses adjetivos, Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Canarana, Rondonópolis, Tangará da Serra, Sapezal, Campo Verde, Tapurah, Nova Mutum, Guarantã do Norte, Água Boa, Pontes e Lacerda, Campo Novo do Parecis, Juara, Juína, Primavera do Leste e outras cidades crescem ordenadamente sem os gargalos da capital.

Pompa à parte, é hora de se iniciar novo modelo administrativo.

São muitas as demandas e a população nada ouviu sobre os planos de governos dos dois candidatos, que preferiram a postura do ataque e contra-ataque ao invés de falarem sobre o amanhã.

Sem propostas a campanha de Emanuel o apresenta na condição de experiente e pinta Abílio como aventura.

Por sua vez Abílio recua no tempo para identificar o adversário como Paletó, em alusão ao vídeo que viralizou.

O eleitor sabe sobre os gargalos ou parte deles e ao longo da campanha ouviu Abílio e Emanuel.

Além disso, conhece o passado de ambos, observa bem os grupos que os acompanham e avalia suas condutas na vida pública que sempre revelam traços de seus temperamentos.

Ainda que alguém julgue ser difícil definir o voto, mais difícil ainda será administrar Cuiabá como a realidade exige e a população espera.


1 COMENTÁRIO:







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pedro  01-12-2020 07:47:00
Artigo bem escrito e lúcido. Parabéns ao autor . Não podemos esquecer da Ilha da Banana, esconderijo de noiado e o abandono da Prainha pela iniciativa privada, nem da calçada eles cuidam. Multa nessa turma.

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