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POLÍTICA
Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019, 08h:47

OPERAÇÃO TAPIRAGUAIA

Valtenir Pereira é alvo de ação da PF

Ex-deputado é apontado coo líder de organização criminosa que desviou mais de R$ 600 mil de duas prefeituras de Mato Grosso

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem

O ex-deputado federal Valtenir Pereira (MDB) foi alvo da segunda fase da Operação Tapiraguaia, deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (22). O emedebista seria o líder de uma organização criminosa que desviou mais de R$ 600 mil de duas prefeituras de Mato Grosso.

Ele teve o seu apartamento – na região da avenida do CPA - vasculhado por agentes federais logo nas primeiras horas da manhã, em cumprimento a um mandado de busca e apreensão expedido pela Justiça Federal de Barra do Garças.

Também foram alvos da Operação o ex-prefeito da cidade de Confresa, Gaspar Lazari, que foi preso preventivamente, e o ex-prefeito de Nova Serra Dourada, que foi alvo de mandado de busca e apreensão.

A ação visa combater um esquema de desvio de recursos públicos federais e pagamento de propinas nas prefeituras de Confresa e Serra Nova Dourada.

No total, foram cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, três prisões preventivas e sete medidas cautelares nos municípios mato-grossenses de Cuiabá, São Félix do Araguaia, Serra Nova Dourada, Bom Jesus do Araguaia, Apiacás e também em Brasília/DF.

A segunda fase é resultado da análise dos dados bancários e dos objetos apreendidos durante a primeira fase da operação, deflagrada no final de janeiro deste ano.

O material colhido aponta que o ex-deputado teria montado um esquema criminoso em conluio com os prefeitos e empresários entre os anos de 2014 e 2016.

Investigações da Polícia Federal dão conta de que, cerca de R$ 601 mil teriam sido utilizados para pagamentos de propina. Valtenir, se utilizando do mandato de deputado federal, teria viabilizado a realização de convênios entre o Ministério da Integração Nacional – Secretaria Nacional da Defesa Civil e as prefeituras, amparando-se na justificativa de construção de pontes de concreto emergenciais, devido às enchentes provocadas pelas chuvas.

Os prefeitos, beneficiados com os recursos federais, realizavam licitações repletas de irregularidades, combinando previamente com os empresários contratados para a execução das obras. Os políticos exigiam propinas a essas pessoas, na medida em que fossem realizados os pagamentos.

Os valores utilizados nas propinas provinham na maioria das vezes de medições fraudulentas, como atestados de serviços não realizados ou realizados a menor. Os montantes eram repassados aos gestores municipais e ao ex-deputado, por meio de depósitos/transferências em contas de terceiros.

A análise policial também aponta a emissão de cheques, entregas de dinheiro em espécie e até mesmo pagamento de boletos e contas dos gestores públicos (contas de energia, boletos de estabelecimentos comerciais, dívida em hotéis, etc).

Os valores repassados ao deputado eram, em regra, depositados em contas bancárias de seus assessores ou de empresas a eles vinculadas, sendo que uma das empresas é fantasma.

Ainda segundo a PF, os assessores e as respectivas empresas recebiam valores avulsos das prefeituras por suposta prestação de serviços de assessoria e consultoria para liberarem as parcelas dos convênios por meio de lobby. As obras da prefeitura de Confresa/MT teriam gerado em torno de R$ 413 mil em propinas aos agentes públicos envolvidos, enquanto as de Serra Nova Dourada/MT o montante de R$ 187 mil.

Além de Valtenir e os dois ex-prefeitos, também são alvos da operação dois assessores, uma presidente de comissão de licitação, dois engenheiros fiscais e um assessor jurídico. Os investigados irão responder por organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e crimes licitatórios, podendo pegar até 40 anos de prisão.

Por meio de nota, o ex-deputado federal se declarou “surpreso” com o cumprimento de mandado de busca e apreensão em sua residência. Contudo, afirma estar tranqüilo.

“Fiquei surpreso com a diligência que foi realizada na minha residência na manhã do dia 22, dia do aniversário da minha filha. Estou absolutamente tranqüilo porque não fiz nada de errado. A relação que tenho com as prefeituras em questão é institucional. Tudo será esclarecido na instância adequada. Estou a disposição das autoridades e confio na Justiça”, disse o emedebista.

O delegado Carlos Henrique Cotta D’Ângelo, de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal, por sua vez, afirma que o ex-parlamentar se utilizou de seus assessores para se blindar da investigação.

“O que se tem na investigação são os assessores dele recebendo dinheiro e pagando as contas. Ele se blindou. Ele usa essas pessoas como laranja para se proteger. Mas dentro da perseguição do caminho do dinheiro, sabe-se que é dele, o interesse era dele, e a participação é dele”, disse.

 


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