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Segunda-feira, 31 de Outubro de 2016, 21h:00

ELEIÇÃO 2016

Emanuel Pinheiro pronto para governar

Em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, o novo prefeito fala quais serão suas primeiras medidas no Alencastro

RAFAEL COSTA
Da Reportagem
Eleito prefeito de Cuiabá no domingo (30) com 157.877 votos, o equivalente a 60,41% dos votos válidos, o deputado estadual Emanuel Pinheiro (PMDB), em entrevista exclusiva ao DIÁRIO, afirma que vai ter como uma de suas primeiras medidas à frente do Palácio Alencastro convocar uma licitação para o transporte coletivo. Ao mesmo tempo, vai cumprir uma de suas promessas de campanha e estender o horário de funcionamento nas creches e centros municipais educacionais infantis. Outra medida já assegurada pelo novo prefeito é que a CAB Ambiental, empresa responsável pelo sistema de distribuição de água e tratamento de esgoto, não permanecerá mais em Cuiabá por conta das seguidas violações às regras do contrato com o poder público. Oposicionista ao governador Pedro Taques (PSDB), Emanuel Pinheiro diz apostar numa relação republicana com o tucano e conseguir uma parceria de sucesso em favor dos cuiabanos. “Somos dois políticos bem- intencionados e queremos o melhor para Cuiabá”, disse. DIÁRIO - Qual a diferença política do Emanuel Pinheiro que concorreu em 2000 à prefeitura de Cuiabá e que saiu vitorioso em 2016 Emanuel - Diria que a experiência, maturidade e capacidade de articulação para agregar as forças políticas necessárias para alçar voos a um projeto majoritário. Nesta eleição, tive também mais tempo de construir uma relação mais forte e de credibilidade com os segmentos organizados da sociedade. DIÁRIO – O seu grupo político elegeu 11 dos 25 vereadores. O senhor pretende articular o apoio dos partidos de maior bancada como o PV, PSB e PSDB? Emanuel – Nossa candidatura empolgou a população cuiabana. Consequentemente, empolgou muitos vereadores eleitos por outras coligações que nos ajudaram no segundo turno por entender que nossa candidatura seria a melhor para Cuiabá. Fui duas vezes vereador por Cuiabá e estou no quarto mandato de deputado estadual. Conheço bem as relações e as articulações políticas dentro do Legislativo. Posso te afiançar que minha relação com a Câmara Municipal será republicana e institucional. Houve uma renovação forte nesta eleição para a próxima legislatura. Acredito que todos os vereadores eleitos e reeleitos estão bem-intencionados assim como o prefeito eleito. Faremos todo o esforço e trabalho de articulação política possível para ter uma base sólida, porque nosso propósito é o interesse público, o que exige muito trabalho para garantir os avanços necessários para melhorar a vida das pessoas e transformar a Capital dos 300 anos em um lugar muito melhor se para viver e devemos nos pautar pelo interesse coletivo e bem-estar da população cuiabana. Não tenho dúvida de que teremos uma base parlamentar sólida já no primeiro semestre. DIÁRIO - Em relação à formação da equipe administrativa, vai pesar o critério mais técnico ou político ou conciliando estes dois perfis? Emanuel – Reitero tudo o que disse na campanha eleitoral. Vou governar com a graça de Deus e os melhores nomes que vão sair do arco de aliança, do quadro de servidores efetivos da prefeitura de Cuiabá que dispõe de técnicos de grande envergadura, capacidade técnica e qualificação profissional e vou também administrar com os melhores nomes do segmento organizado da sociedade. Tem muitos segmentos dispostos a colaborar e contribuir com o novo momento para Cuiabá. Quero deixar bem claro que quando se fala em perfil político se acredita que é político com mandato e não é! O que exijo dos meus secretários é o perfil próximo da população. Um perfil que conversa com as pessoas, o movimento comunitário, segmentos organizados, que tenha humildade para ouvir e receber ideias e críticas e que esteja antenado com os desejos da sociedade. Sou totalmente contrário ao técnico que fica em seu gabinete com uma pequena equipe tomando decisões que vão afetar a vida de milhares de pessoas sem ouvir os principais interessados. Isso eu não vou permitir. Quero um perfil técnico próximo da população. Ninguém vai se isolar em gabinete com equipe pequena e no ar-condicionado tomando decisões sem ouvir a sociedade. Quando eu falo em perfil político, não é o perfil político com mandato. É o perfil político que dialogue com a população e a sociedade civil organizada e que tenha uma articulação e interação muito grandes com o que está acontecendo na cidade. Nada de tecnocratas ilhados dentro de uma bolha tomando decisões. Isolamento administrativo não vou permitir. DIÁRIO– Com essa proposta de governar com os melhores, o senhor não teria restrição em convidar o membro de algum partido que não o apoiou na disputa eleitoral? Emanuel – Politicamente isso não é recomendável, até porque nós defendemos uma linha de propostas diferente da dos adversários. Se tiver compromisso com Cuiabá e se houver uma necessidade para a cidade eu não vejo nenhum problema de compor com esses melhores nomes. Em um primeiro momento não seria possível, mas lá na frente, não vejo problema nisso. DIÁRIO – O senhor já tem em mente as primeiras medidas administrativas à frente da prefeitura de Cuiabá? Emanuel – Nossas propostas serão implementadas em quatro anos, mas algumas serão priorizadas. Vou convocar a licitação do transporte coletivo municipal de passageiros exigindo ônibus novos e com 20% a 30% da frota adaptada aos PNEs (portadores de necessidades especiais) e também integrando o transporte alternativo para torná-lo um sistema complementar com mais oferta aos usuários do sistema sem impacto na tarifa. Vamos compor também uma comissão de técnicos de desenvolvimento infantil e representantes dos pais e alunos para implantar a hora estendida nas creches municipais e CMEIs (centros municipais de educação infantil). Atualmente, funcionam até às 18h e será estendida até as 19h30 em homenagem às mães trabalhadoras. Assinaremos um decreto também estipulando a jornada especial de trabalho para servidoras públicas que são mães com filhos portadores de necessidades especiais e que precisam passar uma boa parte do tempo em seus lares. Existe essa realidade na prefeitura municipal e é necessário estabelecer aí dentro de casa essa sensibilidade que teremos com toda a população. Vamos retomar também o projeto Bom de bola, Bom escola, que na época do ex-prefeito Roberto França beneficiou mais de 3 mil crianças. Para entrar no projeto precisava de média seis em todas as disciplinas. Trata-se de um projeto esportivo e social e vamos retomá-lo. Essas serão algumas das primeiras medidas que iremos tomar nos primeiros meses de gestão. DIÁRIO – Qual o caminho a seguir com relação à distribuição de água e tratamento de esgoto? Se mantém com a CAB Ambiental, se rompe ou contrato e lança nova licitação ou se municipaliza o serviço? Emanuel – Minha posição é romper o contrato e lançar uma nova licitação. O contrato deve ser rompido, porque a CAB não cumpriu uma cláusula contratual. Não começou os investimentos considerados necessários que deveriam iniciar a partir de maio de 2015 para universalizar o saneamento básico em Cuiabá, especialmente o esgotamento sanitário. E ainda pesam graves denúncias de que esse investimento que deveria ser feito em Cuiabá estaria sendo direcionado a outras empresas do grupo empresarial em outros estados brasileiros. Pelo descumprimento desta cláusula, a CAB não tem mais condições de permanecer em Cuiabá. Por isso, o prefeito autorizou a intervenção e agora prorrogou até 15 de dezembro. Então, o prefeito tem toda a legitimidade até 31 de dezembro para tomar todas as decisões necessárias. Se ele entender que não seria uma intromissão indevida, eu gostaria de conversar este assunto com ele já visando à próxima administração. Com uma nova licitação, podemos atrair o interesse de empresas nacionais com experiência na distribuição de água e saneamento básico e que sejam idôneas e com suporte financeiro para investir em Cuiabá, DIÁRIO – Cuiabá está na iminência de receber o Uber, aplicativo que presta serviço semelhante ao de táxi em mais de 300 cidades do mundo. Enquanto deputado estadual, o senhor apresentou um projeto de lei para proibi-lo em Mato Grosso. Como prefeito, o senhor barraria o Uber em Cuiabá? Emanuel – Eu apresentei o projeto e retirei logo em seguida porque defendo uma discussão maior a respeito deste tema com a Câmara Municipal, a sociedade e os taxistas, que precisam ser ouvidos. São milhares de trabalhadores que trabalham de manhã, tarde, noite e madrugada para puder sustentar suas famílias e são os pioneiros do transporte individual. E o que é importante ressaltar é que todos trabalham na formalidade. Os taxistas pagam alvará para a prefeitura de Cuiabá, pagam seus impostos, obrigações, são organizados e se submetem às fiscalizações do município. Não seria injusto atrair o Uber, que é importante, e permitir uma concorrência predatória ao deixá-lo atuar na informalidade e os taxistas na formalidade? Sou a favor da tecnologia e das facilidades que propõem a melhoria da qualidade de vida da população. E neste contexto o Uber é uma realidade, mas defendo que seja discutido, porque o Uber entrar em Cuiabá na informalidade e fazer uma concorrência predatória com os taxistas que estão na formalidade, porque não o Uber entrar na formalidade? Não sou contra os avanços tecnológicos, livre mercado, mas também não sou a favor de se penalizar a categoria dos taxistas que trabalham muito para sustentar as suas famílias e que vivem na formalidade. Devemos fazer um grande debate ouvindo os taxistas, a Câmara Municipal e setores da sociedade. Tenho até uma outra ideia: será que o Uber não poderia ser oferecido também aos taxistas? Não podemos fechar as portas para a modernidade, mas fazer com senso de Justiça. Não é justo o Uber entrar numa concorrência desleal com os taxistas. DIÁRIO – Encerrada a eleição, ficou alguma mágoa em relação ao seu amigo de longa data, Wilson Santos (PSDB), que como adversário buscou associá-lo a esquemas de corrupção e até seus familiares? Emanuel – O Wilson Santos sempre foi meu amigo nestes 28 anos de vida pública. Sempre gostei muito dele. E me surpreendeu e fiquei decepcionado quando, creio eu, bateu o desespero nele e usou de todas as armas para fazer calúnias, injúrias e difamações contra a minha família sem nenhuma prova. Eu entendo que o Wilson Santos exagerou na dose. Eu e minha família não merecíamos isso e esses assuntos não tinham nada a ver com Cuiabá. Não havia provas e era uma mentira. E ele caiu nessa mentira. Não tenho como negar que tive uma decepção muito grande e um desgosto muito grande pela forma como ele quis por qualquer meio de envolver meu nome em situações com as quais eu não tinha nada a ver. Mas entrego nas mãos de Deus. As investigações se transformam em um endosso para quem não tem nada a ver. O tempo vai dizer se ficarão cicatrizes. Não guardo ódio ou rancor, mas as feridas estão expostas recentemente e nada se cicatriza com tamanha facilidade. DIÁRIO – Como o senhor imagina sua relação com o governador Pedro Taques (PSDB) enquanto prefeito de Cuiabá? Emanuel – Uma relação institucional, republicana e de alto nível. Faço tudo por Cuiabá! E entendo que Cuiabá precisa de uma relação política de alto nível do chefe do Executivo municipal com o chefe do Executivo estadual. O governador Pedro Taques é cuiabano. Em sua eleição recebeu votação expressiva em Cuiabá, como eu também tive. Entendo que nós deveríamos criar um pacto para Cuiabá e proporcionar aí e fazer todos os esforços necessários para que possamos investir em Cuiabá, melhorar a qualidade de vida das pessoas e desenvolver o município. Não tenho nenhuma preocupação, pois apesar das nossas divergências políticas Cuiabá está acima de tudo. E acredito que teremos uma relação política saudável que vai permitir gerar convênios, investimentos, enfim, medidas para potencializar a melhoria dos serviços públicos. Nós dois somos políticos bem-intencionados. DIÁRIO – O senhor chegou a um cargo que o seu pai não conseguiu porque foi brutalmente assassinado. Como é chegar a este posto político carregando esse histórico familiar tão delicado? Emanuel – Foi uma força do destino! Chegou o meu momento após tudo conspirar a meu favor. Vejo como uma obra de Deus ser reconhecido neste momento pela população cuiabana como alguém que representa o avanço de que a sociedade tanto precisa. Cuiabá é a cidade onde eu nasci e ser prefeito ainda mais quando serão completados 300 anos é motivo de muito orgulho. Eu tenho certeza de que o meu pai, aonde estiver, retribuiu todo o amor que sinto por ele agindo em meu favor. Quando ele morreu eu tinha apenas 8 anos. Fiquei órfão e fui criado pela minha mãe, uma heroína, que foi pai e mãe ao mesmo tempo. Meu pai foi um dos maiores expoentes políticos da sua geração. Se não fosse assassinado, aos 45 anos teria sido prefeito de Cuiabá e governador de Mato Grosso. Graças a Deus tenho honrado este legado e jamais vou trair os ideais do meu pai que tanto lutou por Cuiabá e Mato Grosso. Não vou decepcionar o meu povo. Minha missão é trabalhar muito para que os serviços públicos melhorem e a população tenha melhor qualidade de vida.

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