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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2016, 20h:42

INVESTIGAÇÃO

Eraí Maggi nega em CPI que sonegou

Um dos maiores empresários do agronegócio brasileiro foi ouvido ontem na CPI da Sonegação Fiscal da Assembleia Legislativa

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Muito barulho e pouca chuva. Esta é uma boa definição para o enfoque dado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Renúncia e da Sonegação Fiscal da Assembleia Legislativa sobre a Cooperativa Agroindustrial de Mato Grosso (Cooamat), de Rondonópolis, e seu principal cooperado, o empresário Eraí Maggi Scheffer, dono do Grupo Bom Futuro. Enquanto testemunha Eraí foi ouvido ontem pela CPI. Ao término do depoimento Eraí e os deputados fumaram o cachimbo da paz. Aparentemente o desfecho aponta para a inexistência de sonegação tributária e irregularidades. Se isso prevalecerá ou não, somente o relatório final dos trabalhos, que será apresentado até 15 de dezembro poderá dizer. Eraí é um dos maiores empresários do agronegócio brasileiro e responde por 83% da movimentação da Cooamat. O presidente da CPI, Zé Carlos do Pátio (SD) questionou a legitimidade de sua participação na cooperativa e tentou encontrar provas ou indícios que tal condição lhe favorecesse e pudesse resultar em sonegação de tributos. O empresário negou que sua condição de cooperado fosse irregular e informou que não dirige e nunca dirigiu à cooperativa. Pátio perguntou qual tipo de vantagem Eraí levaria sendo cooperado. Em outras palavras a resposta foi objetiva: o Brasil cria dificuldades para vender facilidades. Quem opera no mercado internacional do algodão tem que cumprir seus contratos com a produção específica de tal área, o que nem sempre é possível. Isso, porque infestações de doenças, pragas e outros problemas às vezes inviabilizam uma determinada propriedade, o que impede seu dono de honrar seus contratos com importadores. Com as cooperativas é diferente. Quem vende é ela, independentemente de qual cooperado seja o produto e onde produza. Tentando fechar o cerco sobre Eraí, Pátio quis saber por que ele responde por mais de 80% da movimentação da Cooamat. “Em qualquer cooperativa eu serei grande”, respondeu o empresário. O deputado ampliou a pergunta lembrando que diretores e cooperados (da Cooamat) são parentes, funcionários e amigos do depoente. Eraí explicou que cooperativas costumam quebrar e quando isso acontece o prejuízo cai sobre os ombros de seus integrantes. Revelou que pertenceu à Coabra, uma grande cooperativa que baixou as portas, mas que depois daquela experiência decidiu trabalhar somente com gente de confiança. Sobre o fato de a Cooamat ter funcionado numa sala ao lado do Grupo Bom Futuro em Rondonópolis, Eraí disse que não vê nenhuma irregularidade, mesmo com ambos atuando na área do agronegócio. Destacou que em galerias é comum se ver agências bancárias de bancos distintos uma ao lado da outra. Com o depoimento de Eraí a CPI chegou a 108 audiências. Pátio disse que foram investigadas 150 empresas sendo que muitas se utilizam de laranjas. Destacou que o trabalho da CPI resultou na devolução ao Estado pelo Grupo JBS de R$ 340 milhões e que outros R$ 100 milhões serão devolvidos pelo mesmo JBS. O deputado acredita que Mato Grosso recuperará R$ 2 bilhões até agora sonegados ou que não chegaram aos cofres do governo por conta de incentivos irregulares. Ao término Pátio disse que a Cooamat responde a processos administrativos na Secretaria da Fazenda, o que não acontece com o Grupo Bom Futuro. Em tese os membros da CPI excluíram a palavra “sonegação” por parte da cooperativa. Eraí agradeceu aos deputados. Segundo ele, desde a instalação da CPI em março do ano passado, a Cooamat passou por auditorias internacionais e nacionais, sem que se constatasse uma irregularidade sequer por parte dela. As auditorias foram motivadas pela citação do nome da cooperativa.

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