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Quinta-feira, 23 de Junho de 2016, 20h:25

OPERAÇÃO VENTRÍLOQUO

Riva confessa ter ficado com R$ 806 mil

Ex-deputado voltou a prestar depoimento ontem à Justiça em ação que apura desvio de R$ 9,6 milhões da Assembleia

RAFAEL COSTA
Da Reportagem
Em novo depoimento prestado na ação penal relacionada à operação Ventríloquo, que aponta desvio de até R$ 9,6 milhões dos cofres da Assembleia Legislativa, por meio de fraude em um pagamento que deveria ser destinado à quitação de uma dívida com o HSBC Seguros, o ex-deputado estadual José Riva (PSD) declarou ontem perante a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, que se apropriou de R$ 806 mil. Uma parte do dinheiro distribuído em quantias de R$ 50 mil foi entregue à ex-deputada estadual Luciane Bezerra (PSB) e aos deputados estaduais Romoaldo Junior (PMDB), Gilmar Fabris (PSD) e Guilherme Maluf (PSDB), este último atual presidente do Legislativo. De acordo com Riva, para se descobrir a destinação do restante do dinheiro será necessário fazer a microfilmagem de 21 cheques. O ex-deputado iniciou seu depoimento em juízo afirmando que o ex-secretário-geral do Legislativo, Odenil Rodrigues de Almeida, mentiu em seu depoimento ao afirmar que cedeu seu nome para receber uma quantia de R$ 50 mil e entregou ao ex-procurador jurídico Anderson Godoi, pois outros volumes de dinheiro foram depositados em suas contas bancárias e não foram devidamente repassados. Riva disse que a quantia de R$ 50 mil depositada na conta de Odenil Rodrigues serviu para, posteriormente, ser entregue ao deputado Guilherme Maluf. "O Odenil nunca entrou na Secretaria Geral para trabalhar. Sempre trabalhou dentro do gabinete do deputado Guilherme Maluf. Os dois sempre foram próximos. "A Assembleia é uma bagunça na questão dos servidores. A Mesa dá cargos para deputados, ele nomeia pessoas, mas elas não estão trabalhando nos locais em que estão lotados", disse. Riva também afirmou em juízo que é falso o depoimento do advogado Joaquim Fábio Mielli Camargo, que declarou em sua delação premiada não conhecê-lo enquanto exerceu mandato de deputado estadual. Foi anexado ao processo criminal um documento que seria o comprovante de pagamento de honorários ao advogado, o que, em tese, comprovaria que ambos se relacionavam para prática de interesses comuns. Ele rebateu as acusações do secretário legislativo da Assembleia Legislativa, Odenil Rodrigues de Almeida, de que teria solicitado dados bancários para o depósito de R$ 50 mil, que teriam sidos repassados ao ex-procurador jurídico do Poder, Anderson Godoi. “Ele está mentindo. Odenil nunca foi meu funcionário. Secretário- geral não tem vínculo com assessores parlamentares. Ele mesmo falou que era assessor parlamentar. Não tinha vinculo algum com ele” declarou.

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