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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2016, 19h:47

OPOSIÇÃO

Senador eleva tom nas críticas a Taques

Wellington Fagundes diz que não faz oposição a Mato Grosso; sua oposição é ao governo Pedro Taques

EDUARDO GOMES
Da Reportagem
Sectário e maniqueísta. Até então, na imprensa, nenhum político havia dispensado tais adjetivos ao governador tucano Pedro Taques. Wellington Fagundes o fez nesta entrevista rompendo a imaginária barreira da blindagem a Taques, que o mantinha fora do alcance das críticas ácidas. Com seu posicionamento o senador republicano sacramenta seu caminho rumo às eleições de 2018, mas o faz cautelosamente sem admitir que disputará o governo e até mesmo sem firmar posição sobre candidatura majoritária do PR. Com uma frase que também pode ser de efeito diz, “não fazemos oposição a Mato Grosso; nossa oposição é ao Pedro (Taques)”. Em Mato Grosso Wellington lidera o PR, legenda de porte intermediário, condição essa que ele não nega “não queremos ser o maior nem o menor partido. O que sempre buscamos é trabalhar em grupo, tanto nacionalmente quanto aqui”, resume. Esse perfil não tira a representatividade dos republicanos, pois em Mato Grosso política se faz suprapartidariamente. Exemplo disso está em sua chapa no Senado, que tem o primeiro suplente Jorge Yanai, do PMDB, e o segundo, Manoel Motta, do PCdoB. O senador atua politicamente em todos os municípios defendendo correligionários e, na ausência desses, apoiando aliados, como aconteceu em outubro na eleição para prefeito de Cuiabá, quando coordenou a campanha vitoriosa do peemedebista deputado estadual Emanuel Pinheiro para a prefeitura. A longa e ininterrupta militância política de Wellington e seu posicionamento de oposição a Taques criaram expectativa sobre sua eventual candidatura ao governo. O senador não nega que faz política 24 horas, mas desconversa sobre o assunto preferindo insistir na tese da convergência. Segundo ele, não é de seu perfil atropelar o processo natural e prefere defender a tese do entendimento, isso, “acima dos nomes e dos partidos”. O discurso de Wellington tem duas definições. Primeiro, exclui a palavra candidatura, mas seu tom sobre Taques - que deve tentar a reeleição – evidencia que o clima está criado para a disputa nas urnas. Segundo, não sinaliza para a aproximação ou reaproximação com o PSDB do governador; até leigo em política sabe que onde não há entendimento a única saída é o enfrentamento. O senador disse que o cartão de visita de Taques foi mostrado quando da diplomação dos eleitos em 2014. “Ele (o governador) foi muito sectário dizendo que não queria apoio. Governador e senador não podem adotar esse tipo de conduta, que é prejudicial ao estado”, avalia. “Na mesma oportunidade o Pedro (Taques) disse que o almoço no Paiaguás seria marmitex de preso. Por que ele não põe isso em prática nesse momento da alardeada crise que domina sua fala?”, questiona. Wellington sempre se apresentou enquanto figura moderada, conciliadora. No entanto, agora, ao falar sobre Taques fica à beira da urticária. O senador buscou uma frase do governador em recente entrevista sobre saúde, onde disse que em Mato Grosso cabe a ele escolher quem viverá ou morrerá. “Isso pegou muito mal. Às vezes o político joga para a plateia e acaba prejudicando seu estado. A repercussão foi a mais negativa possível”, lamentou. A arrecadação de Mato Grosso cresceu nos dois últimos anos, diz Wellington. Mesmo assim Taques sustenta que o equilíbrio das contas é difícil porque paralelamente a isso os encargos com a folha salarial ultrapassam o avanço da receita. O senador não aceita tal versão. Segundo ele, é dever do governador adequar a máquina administrativa e cortar gastos supérfluos para que possa investir. “Pior é que ele (Taques) não quer parceiros. Ele achava que o governo da presidente Dilma era ruim e agora critica o governo do presidente Temer. Isso fecha as portas para o nosso estado”, avalia. O governo de Taques não avança na área da regularização fundiária, diz o senador. Segundo ele, Mato Grosso é uma dualidade e mesmo sendo o maior produtor de commodities agrícolas busca repolho, tomate e ovos na Ceasa em São Paulo. “Tem que mudar o enfoque, olhar para frente sem remoer passado. Estamos na metade do governo do Pedro (Taques) e o que se fez quanto a isso? Nada, respondo”, criticou. Para ele, todo passo na direção fundiária passa pela bancada federal, mas o governador a isola. “Hoje (quinta-feira, 24, data da entrevista) a nossa bancada foi à Casa Civil da Presidência discutir a questão fundiária e o Pedro (Taques) estava ausente”, lamentou. “Nós estamos fazendo nossa parte no Congresso, mesmo sabendo que o governador não quer parcerias. O senador destaca que foi designado relator do projeto de lei aprovado em 17 deste mês na Comissão Mista de Orçamento do Congresso, que abre crédito de R$ 1,94 bilhão para o governo transferir aos estados, Distrito Federal e municípios o pagamento do Auxílio Financeiro de Fomento às Exportações (FEX). “A transferência chegará aos cofres do Paiaguás. Cumprimos nosso dever. Agora é preciso que ele faça o que lhe toca”, alfinetou. O papel dos senadores e do governador é a defesa do estado. “Juntos já enfrentam problemas e quando cada um puxa por um lado diferente é ainda mais difícil. Tenho a dimensão do que representa meu cargo e muito me preocupa o discurso negativista dele (Taques), que desestimula investidores e cria clima de preocupação generalizada entre a população”, analisa. O líder republicano diz que deixa a eleição nas urnas e que após a apuração, independentemente do resultado, sempre estendeu a mão aos eleitos para os cargos executivos. Wellington observa que essa conduta deve ser recíproca entre governador e parlamentares. “Não se governa com o fígado, mas com habilidade política”, cutuca. Ele não citou, mas em Rondonópolis, sua cidade, apoiou os prefeitos eleitos desde 1992 - quando estava em seu primeiro mandato de deputado federal - e todos foram seus adversários. Seu discurso já foi afinado com Zé Carlos do Pátio (SD) que venceu a eleição em outubro e ainda não foi diplomado. Questiono se da parte dele houve tentativa de aproximação com Taques. “Minha atuação parlamentar é uma permanente mão estendida. Nunca disse um ‘não’ sequer a Mato Grosso e sou solidário em todas as suas lutas, sendo que algumas foram lideradas por mim”. Sobre seu desempenho ele pede que o questionamento seja feito aos prefeitos e a Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). “Recebo todos os prefeitos em meu gabinete, independentemente de cor partidária. Fiz das bandeiras da AMM minhas causas. Sou municipalista por convicção, pois conheço a realidade das prefeituras”, argumentou. Se não acontece a aproximação, como fica o quadro para 2018 – insisto. “Eleição é para ser disputada. Colocação de nomes e definições de partidos acontecem no tempo certo, mas o embate é salutar para a democracia e a oxigenação administrativa”, se posiciona. Taques tem temperamento forte e não conjuga o verbo recuar. Com ele é assim: para cada ação uma reação. Wellington ainda que sutilmente, deflagrou a disputa pelo governo. Resta saber qual peça desse xadrez político será movimentada pelo governador. Por sua vez o senador não abaixa a cabeça e costuma agir em torniquete apertando, apertando até não poder mais apertar. Com a fala de Wellington começa a corrida ao Paiaguás faltando quase dois anos para a eleição. O posicionamento do senador bota fim a unanimidade em torno do governo Taques. Também escancara a porta para a arena da disputa, que deverá ser engrossada por políticos que até agora, por prudência, somam seus sonhos eleitorais ao sigilo do voto.

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